Três indivíduos encapuzados de nacionalidade estrangeira, empunhando armas de fogo “raptaram” ontem, cerca das 15 horas em Serpa, frente à dependência do Crédito Agrícola, uma mulher, que seguia acompanhada de três homens, também eles estrangeiros.
Afinal, o “rapto”, que inicialmente também foi confundido com uma tentativa de assalto ao banco, não passava de um simulacro que faz parte do Exercício “Unified Blade 2008”, que envolve tropas da NATO, que entre outros locais estão aquarteladas na Base Aérea 11, em Beja.
O que seria um mero teste da capacidade de reacção por parte das forças de segurança, rapidamente se tornou num sequestro, em virtude do desconhecimento geral que existia em todos os sectores, incluindo autoridades civis.
Ouviram-se dois fortes estrondos, atribuídos a disparos ou rebentamento de petardos, para dar maior realidade à situação, o que levou os funcionários do banco a alertar a GNR do Posto de Serpa que compareceu no local (foto da GNR junto aos CTT de Serpa, após o assalto).
Dado o alerta, os “raptores”, viriam a ser detidos à entrada de Beja, por patrulhas da Brigada de Trânsito da GNR mobilizadas para o que seria um rapto.
O Major Lourenço da Silva, porta voz da BT, confirmou à Voz da Planície que “a intervenção foi demasiado real, para um exercício”, face ao desconhecimento da situação.
A nossa estação está em condições de garantir que os militares da BT chegaram a empunhar as armas para deter os supostos raptores.
A mesma situação foi referida pelo Capitão Manuel Jorge, porta-voz da Brigada Territorial N.º3 que disse “não ter a GNR de Serpa conhecimento do caso, o que levou algum tempo a esclarecer a situação”, assegurando que terão sido os funcionários do banca a informarem a guarda.
Um funcionário daquela instituição assegurou ter ouvido o baralho do que considerou “serem tiros e uma enorme confusão na rua”, concluiu.
Uma moradora, cuja habitação fica perto do local confirmou a existência de dois grandes estrondos que “fizeram tremer a casa”, sustentando ter sido o “rebentamento de dois petardos”, disse
O presidente da Câmara de Serpa, João Rocha e o comandante dos bombeiros locais, José Cataluna, asseguraram não “estarem avisados de qualquer exercício”.
O porta voz do Estado Maior das Forças Armadas (EMGFA), Comandante Pedro Carmona, assegurou que “havia conhecimento das autoridades civis e forças de segurança do que se iria passar., garantindo que “uma patrulha da GNR de Serpa acompanhou o incidente”, versão que não coincide com a da guarda.
O caso ganhou maior especulação, porque ainda estava presente na memória dos serpenses o assalto à mão arma de que foi alvo há cerca de três meses a Estação dos Correios local.
Teixeira Correia






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