Regional | 07:00 | 09-11-2009
Face Oculta: Recolha de resíduos no ramal de Aljustrel na acusação

O empresário Manuel Godinho, principal arguido do processo “Face Oculta”, foi avisado da adjudicação de trabalhos no ramal de Aljustrel. Administração das Pirites Alentejanas, proprietária da ferrovia, não prestou esclarecimentos.

A adjudicação de trabalhos no ramal ferroviário de Aljustrel, faz parte da acusação do processo “Face Oculta”.

De acordo com informações a que a Voz da Planície teve acesso, existem referências a telefonemas feitos entre dois arguidos do processo "Face Oculta", o empresário Manuel Godinho e o quadro da Refer, Manuel Guiomar (na foto junto à sua advogada à saída do tribunal), onde este informa que foram adjudicados trabalhos no ramal ferroviário de Aljustrel.

“Face Oculta”, foi o nome que a Polícia Judiciária deu à operação contra a corrupção que está em curso envolvendo, com o propósito de dilucidar eventuais práticas corruptivas da autonomia intencional do Estado, nomeadamente de empresas do sector empresarial do Estado, em concursos públicos e outras formas contratuais de adjudicação de contratos de prestação de serviços na área dos resíduos.

A Voz da Planície apurou que no dia 14 de Julho de 2009, pelas 09h05, Manuel Guiomar contactou telefonicamente Manuel Godinho, tendo-lhe confirmado a adjudicação dos trabalhos de selecção, recolha, transporte, armazenagem, triagem, valorização e eliminação dos resíduos do ramal de Aljustrel a uma das suas empresas.

Manuel Guiomar ouvido durante todo o dia de quinta-feira pelo juiz de instrução criminal de Aveiro, ficou proibido de contactar com os restantes suspeitos e de sair do país, sendo acusado de três crimes. Para esta decisão, o juiz considerou como imputável ao arguido o facto de ter comunicado informações sobre concursos públicos da Refer para a recolha e tratamento de resíduos ferrosos, nomeadamente, em Aljustrel, beneficiando o empresário Manuel Godinho, dono da O2- Tratamentos e Limpezas Ambientais, que assim ganhou o concurso.

Estranho é o facto do ramal ferroviário que liga a estação do Carregueiro, na Linha do Alentejo, às minas de Aljustrel, numa extensão total de 11,6 quilómetros, e que era apenas usado por comboios de mercadorias, não era gerido pela Refer, já que é propriedade das Pirites Alentejanas.

A empresa mineira passou para as mãos da MTO, “holding” pessoal dos irmãos Carlos e Jorge Martins, donos da Martifer, em 22 de Dezembro, depois de um acordo de princípios entre a Lundin Mining e a MTO, anunciado em Aljustrel no dia 5 desse mês, pelo ministro da Economia, Manuel Pinho.

Contactada a empresa Pirites Alentejanas, colocámos as questões que desejávamos ver respondidas, nomeadamente, se houve algum concurso para adjudicação de trabalhos no ramal de Aljustrel, tendo-nos sido dito que a administração se encontrava reunida. Foi-nos informado que a situação seria colocada à administração, tendo sido solicitado o contacto telefónico da redacção, para posteriores esclarecimentos, que até à presente data ainda não foram prestados.


Teixeira Correia

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