FORTES

O problema reside nos “fumos” que saem da unidade de tratamento de bagaço de azeitona instalada, a 300 metros da localidade, desde 2013 e que labora 24 sobre 24 horas. A população das Fortes não está contra a existência desta unidade industrial, mas quer que a localidade viva sem este problema, que tem destruído hortas e a saúde das cerca de 100 pessoas, na sua maioria idosas, que ali vivem. Em 2017 conseguiram que fosse feita uma fiscalização, pelo IAPMEI, às chaminés, mas os resultados disseram que estava tudo de acordo com a lei. Isto mesmo explica Fátima Mourão, que reside nas Fortes há 10 anos e que está a encabeçar “a luta pela sensibilização do industrial” para o problema que a localidade enfrenta.

A verdade é que os problemas persistem e a população decidiu fazer uma participação, constituída por queixas individuais, que resultará numa queixa crime para entregar no Ministério Público, levando esta entidade a investigar o caso, tal como explica Fátima Mourão.

Foi Fátima Mourão quem avançou também, à Voz da Planície, que está para breve a constituição de uma Associação de Moradores das Fortes para defender a sua causa e que têm do seu lado, o Município de Ferreira do Alentejo. O presidente da Câmara Luís Pita Ameixa comprometeu-se a suportar as despesas da realização, por um laboratório independente, das análises à qualidade do ar, um processo que está em andamento.

A Voz da Planície fez várias diligências no sentido de perceber se as entidades competentes conhecem o problema das Fortes e o que está a ser feito para o resolver.

A Voz da Planície sabe que a AZPO – Azeites de Portugal está a fazer um investimento que consiste na instalação de uma nave, ou seja de um edifício de 1500 metros, nas traseiras da unidade industrial, cuja construção já foi autorizada pela autarquia de Ferreira e que vai começar segunda-feira, dia 30, para armazenar o bagaço de azeitona que recebe, assim como o pó que dele resulta e que está, neste momento, à beira da estrada, a céu aberto. Sabemos, igualmente, que a AZPO - Azeites de Portugal está a fazer outro investimento num sistema de transporte, fechado, para o pó que resulta da transformação do bagaço, que vai ser implementado em breve e que, durante o mês de maio, altura em que a unidade pára a sua laboração, vão fazer alterações nas duas chaminés.

A Agência Portuguesa para o Ambiente (APA), que foi contactada pela população e que encaminhou a mesma para a CCDR Alentejo e o IAPMEI, e o Ministério do Ambiente foram contactados pela Voz da Planície, através de mail e esperam-se respostas.


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