PAULO COLAÇO NAS ESCOLAS

O gosto pela música e a decisão de fazer carreira nesta área começaram cedo, mas a viola campaniça e o interesse por este instrumento tradicional aconteceu na vida de Paulo Colaço em 1990. Desde essa altura que tem apostado na sua promoção e o reconhecimento da sua importância deu-se, na sua opinião, no auge do sucesso dos Adiafa, grupo que integrou e também, na abertura de um curso no Conservatório de viola campaniça.

Paulo Colaço defende contudo, um novo rumo para o cante e para a viola campaniça. Fazendo referência aos músicos da região que assumiram a defesa do cante nos seus percursos, diz ver com bons olhos o surgimento de grupos como os Bubedanas, com gente nova a trabalhar o cante alentejano. Mesmo assim, considera ser necessário um novo repertório, que tenha a marca Alentejo, assim como a continuidade no trabalho de divulgação e ensino do cante alentejano.

Foi ensaiador na terra da família, 4 anos, mas decidiu sair do concelho de Castro Verde e fazer trabalho de promoção do cante e da viola campaniça, na sua cidade, Beja. Paulo Colaço já tinha ensinado crianças em Castro Verde e Serpa, mas está agora a tomar conta, em conjunto com a professora Ana Albuquerque, de um projeto que inclui os meninos do 1º ao 4º ano, do Agrupamento nº 2 de Escolas de Beja. Um projeto diz Paulo Colaço, com carinho e orgulho, em que se "premeia o mérito com o cante". O músico espera que Os Meninos em Cante representem o início do ensino do cante alentejano nas escolas e que o mesmo se prolongue por muitos anos.

Para Paulo Colaço, convicto de que o cante vai ser inscrito como património cultural imaterial da humanidade esta semana, este resultado traz mais responsabilidade a todos, na preservação de uma herança que tem estado sempre presente na sua vida e sobre a qual considera que "ainda está tudo por fazer".


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