Olival

A Carta de Uso de Ocupação do Solo de Portugal Continental de 2018 diz que a agricultura do Alentejo pratica-se numa superfície agrícola utilizada (SAU) total de aproximadamente 2,6 Milhões de hectares. No Alentejo, estima-se que a área de regadio deverá rondar os 10% da SAU e que desta área, o Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva projeta irrigar 180 mil hectares. Partindo destes dados, no comunicado, enviado à nossa redação, é recordada a dupla “missão” dos agricultores ou seja a de produzir alimentos e a de preservar o meio ambiente. Neste contexto, agricultores e olivicultores afirmam que os “homens da terra” têm sabido “responder à modernização da agricultura neste território vulnerável aos impactos das alterações climáticas, sabendo produzir com menores recursos”. Como exemplo desta situação identificam o regadio, que tem “permitido diversificar culturas, diminuir importação de alimentos, produzindo com maior qualidade, com menores custos e deixando menor pegada ecológica.”

Sobre a olivicultura é revelado que a área total “não ultrapassa os 70 mil hectares” e que esta “é uma cultura com benefícios comprovados, por estar bem adaptada ao clima e solos, por ser pouco exigente em água e permitir poupar em fitofármacos e ser relevante no combate à erosão dos solos”. É acrescentado que “a utilização da rega gota-a-gota permite o uso eficiente da água” e que “o modo de produção integrado utilizado tem regras ambientalmente sustentáveis”. Foi esta produção, é frisado, igualmente no comunicado, que “permitiu aumentar a produção de azeite em Portugal, suprimir as necessidades de importação e contribuir de forma positiva para o saldo da balança comercial”. É dito, ainda, que “o aumento da temperatura e a perda de humidade do solo são contrariadas através da arborização onde se inclui a oliveira.”

Para agricultores e olivicultores os novos desafios do regadio “contribuem para a fixação de mão-de-obra altamente qualificada” e lembram que “antes de Alqueva houve secas que ficaram na memória e que este investimento trouxe água, aumento da produção, gente e variedade produtiva.”

Não esquecendo que há maus exemplos em todas as profissões, agricultores e olivicultores realçam que “os menos bons são uma ínfima minoria” e que “não beliscam tudo de bom que esta realidade tem trazido à região”. Razões que justificam o facto, de refutarem “declarações incompreensíveis, injustas e falsas sobre a agricultura atual” e de exigirem “respeito pelo trabalho” que desenvolvem.


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Num contexto de evidente ataque e destruição do que resta do montado - já objecto de outra acção que levou o Alentejo à miséria e provocou o maior êxodo populacional de que há memória, a triste célebre Campanha do Trigo dos anos 40 do século passado - com os evidentes e conhecidos efeitos prejudiciais para a região que é a monocultura que aí passaram a praticar, mormente de olival super-intensivo, fazer uma afirmação dessa natureza é chico-espertismo e, como tal, ofensivo para todos nós, aqueles que sabem quais os efeitos desse tipo de ocupação de solo. Uso excessivo de água, envenenamento dos solos, morte da fauna e flora, agravamento dos problemas de saúde das pessoas, diminuição da capacidade de retenção de carbono pelos solos. Incremento de todos os factores que levam à criação de zonas desérticas. É falta de vergonha e desrespeito pelas populações e pela região. Contudo, é positivo que tenham reagido, porque estão a acusar-se e a sentir que, apesar do apoio governamental ao que vêm fazendo, as populações da região e os cidadãos conscientes estão a mobilizar-se, denunciando o que é um dos maiores ataques à região. Estamos convictos que as autoridades - até pela reacção estuporada dessa gente, que se diz agricultora - não deixarão de responder, no sentido de pôr termo ao olival intensivo e super-intensivo na região; promovendo políticas de desenvolvimento sustentável, assente em elementos característicos da região, como tal, sustentáveis, por benéficos, para a referida região e para as suas populações. para

Bento Caeiro

24/04/2019

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