FORTES

O vice-presidente da CCDR Alentejo, Jorge Pulido Valente, explicou à Voz da Planície que foram aplicadas à unidade de transformação de bagaço de azeitona de Fortes três contra ordenações graves, nomeadamente uma por atraso na entrega de relatório de auto controlo e mais duas por emissões, nas chaminés da fábrica, fora dos limites da lei, factos que justificaram o pedido de suspensão de laboração, enviado ao IAPMEI, no passado dia 25 de maio.

Cabe agora ao IAPMEI, entidade responsável pelos licenciamentos industriais apreciar o pedido de suspensão de laboração apresentado pela CCDR Alentejo e tomar uma decisão final sobre esta matéria.

Recorde-se que a população de Fortes tem vindo a reivindicar, há anos, análises à qualidade do ar e que no dia 17 do passado mês de maio entregou, no Tribunal de Ferreira do Alentejo, uma queixa crime com diversos depoimentos que responsabilizam a qualidade do ar por vários problemas de saúde com que se depara a população, envelhecida, que habita aquela localidade.

É preciso lembrar também, que na sequência da notícia efetuada pela Voz da Planície, no passado mês de abril, dando voz às queixas da população de Fortes, a nossa estação conseguiu apurar que a AZPO – Azeites de Portugal está a fazer um investimento que consiste na instalação de uma nave, ou seja de um edifício de 1500 metros, nas traseiras da unidade industrial, cuja construção já foi autorizada pela autarquia de Ferreira, para armazenar o bagaço de azeitona que recebe, assim como o pó que dele resulta e que está à beira da estrada, a céu aberto.

Na altura foi avançado ainda, à Voz da Planície que durante o mês de maio, altura em que a unidade deveria ter parado a sua laboração, iriam ser feitas alterações nas duas chaminés, situação que, ao que tudo indica, não se verificou.

A Plataforma “Problema Ambiental em Fortes” afirma, em nota de imprensa, que a decisão da CCDR Alentejo é o culminar de um processo que se arrasta há 9 anos e que nos últimos tempos foi alvo de intervenção mediática, política e judicial, com a recente entrega de 60 queixas no Ministério Público da Comarca de Ferreira do Alentejo.

Ainda segundo a Plataforma, “cabe agora ao IAPMEI, entidade responsável pelos licenciamentos industriais apreciar o pedido de suspensão de laboração apresentado pela CCDR Alentejo e tomar uma decisão final sobre esta matéria” solicitando que seja “com a maior brevidade possível e que não se esteja a pactuar com a ilegalidade já evidente”.

Ainda de acordo com a Plataforma, agora é aguardar pelo “cumprimento desta decisão, uma vez que a fábrica continua a laborar, e que sejam realizadas as melhorias que permitam o escrupuloso cumprimento da legislação ambiental e o retomar da laboração da fábrica devidamente enquadrada na lei e que seja definido por parte das várias entidades um plano de monitorização e fiscalização apertado que evite os mesmos erros e consequências, para a comunidade, trabalhadores da fábrica, empresários e agricultores”

É ainda afirmado que os moradores das Fortes vão manter-se vigilantes e aguardar o desenrolar da acção que decorre na justiça, sem descurar outras iniciativas a desenvolver, entre as quais a constituição da associação de moradores das Fortes para continuar a sua acção na defesa pelo cumprimento da legislação ambiental.

A população de Fortes quer que esta localidade seja um exemplo positivo onde indústria e ambiente possam ter uma convivência saudável sob cumprimento escrupuloso da legislação


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Como ex- habitante da Aldeia de Fortes fico muito contente que tenham conseguido por enquanto travar essa calamidade, fazendo votos para que tudo se resolva da melhor maneira e que quando eu for visitar os meus familiares possa resperar um ar saudável e puro como se quer no nosso lindo Alentejo. Bem-aja a quem tanto tem lutado pelos seus direitos, não esquecendo também os direitos de quem precisa deste posto de trabalho. Por isso há que analisar bem a situação , criar condições para que a fábrica possa posteriormente continuar a trabalhar sem prejudicar ninguém. FORÇA e que tudo corra bem. Maria José

Maria José Martins

06/06/2018

1. - Que diferenças objectivas há entre esta unidade (Fortes) e a que se situa em Alvito, junto à estação da CP? 2. - Será a CCDR Alentejo desconhece a existência da unidade fabril de Alvito? 2.1. - Se sim, que diligências (análises ou interpretações) foram feitas para que as duas situações (Fortes e Alvito), designadamente no que concerne às medidas penalizadoras que são referidas nestes artigo, tenham tratamento tão diferentes?

Manuel Maria Barroso

05/06/2018

Não percebo!!! Sinceramente não percebo porque a lei tem dois pesos e duas medidas! Para abrir uma lojeca para vender uns queijos e umas linguiças é preciso e acho muito bem,licença sanitária,vacinas,exames médicos,autorização da Câmara,da junta de freguesia e qualquer dia até do Padre! Estes fulanos andam a matar toda a gente que ali vive perto e a intoxicar tudo e todos e só ninguém sabe de nada, como ainda lhes dão carta branca para o que querem e lhes apetece!!! Alguém anda a abusar da boa vontade e da inocência das pessoas. É melhor que comecem a abrir os olhinhos e a fazer o trabalho para que foram responsabilizados! Esqueçam as gorjetas PORRAAAA!!!

José Catarino

05/06/2018