FORTES

O problema reside nos “fumos pestilentos” que saem da unidade de tratamento de bagaço de azeitona instalada, a 280 metros da localidade, desde 2010 e que labora 24 sobre 24 horas. A população das Fortes não está contra a existência desta unidade industrial, mas quer que a localidade viva sem este problema, que tem destruído hortas e a saúde das cerca de 100 pessoas, na sua maioria idosas, que ali vivem. Fátima Mourão, que reside nas Fortes há 10 anos e que está a encabeçar “a luta pela sensibilização” para o problema que a localidade enfrenta, explicou à Voz da Planície o que vai acontecer amanhã, no Tribunal de Ferreira do Alentejo e o que se espera desta ação.

A população de Fortes quer que esta localidade seja um exemplo onde indústria e ambiente possam ter uma convivência saudável, recorda que há oito anos que pede ajuda e que só agora alguma chegou, mas com a ajuda da comunicação social, referiu Fátima Mourão. Neste contexto disse ainda, que têm sido algumas as individualidades a olhar nos últimos tempos para o problema de Fortes e avançou que nesta sexta-feira, dia 18, a QUERCUS promove um encontro com a população e vem ao local para observar o que se passa.

A seguir a população de Fortes vai tentar saber, revelou à nossa estação Fátima Mourão, junto da Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo, qual é o ponto de situação sobre as análises, que se responsabilizou fazer, à qualidade do ar desta localidade e prosseguir com as diligências necessárias à constituição de uma Associação de Moradores.

A empresa responsável pela unidade de transformação de bagaço de azeitona de Fortes garante que o que saí das chaminés da fábrica é vapor de água e a população afirma que esta fábrica já foi, por diversas vezes, autuada e sujeita a contraordenações.

Recorde-se que, entretanto, a Voz da Planície conseguiu apurar que a empresa responsável pela unidade industrial, a AZPO – Azeites de Portugal, está a fazer um investimento que consiste na instalação de uma nave, ou seja de um edifício de 1500 metros, nas traseiras da unidade industrial, cuja construção já foi autorizada pela autarquia de Ferreira, para armazenar o bagaço de azeitona que recebe, assim como o pó que dele resulta e que está, neste momento, à beira da estrada, a céu aberto. Sabemos, igualmente, que a AZPO - Azeites de Portugal está a fazer outro investimento num sistema de transporte, fechado, para o pó que resulta da transformação do bagaço, que vai ser implementado em breve e que durante este mês de maio, altura em que a unidade deixa de laborar, vão ser feitas alterações nas duas chaminés.


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