Olival regadio

Está a ser testada, num olival de regadio no concelho de Beja, a eficácia de uma molécula que retarda, em adubos líquidos, a absorção de azoto no solo. Os ensaios são da responsabilidade de uma multinacional com sede em Barcelona e o Instituto Politécnico de Beja é a entidade portuguesa convidada como parceira científica.

Quando as plantas são adubadas, o azoto é fornecido em três formas: em forma de ureia, amoniacal e nítrica. De entre estas três formas, a nítrica é a que se perde no solo mais rapidamente. Razão pela qual, muitas vezes são necessários reforços de adubação para responder às necessidades das culturas. Com isso está também a aumentar-se a carga de nitratos que se escoam no solo e que podem afectar os lençóis freáticos.

Para responder de forma mais eficaz às necessidades das plantas fazendo com que o mesmo azoto seja usado durante mais tempo e, em simultâneo, procurando diminuir as perdas de nitratos no solo, o IPBeja é a entidade científica nacional que está a investigar o comportamento de uma molécula que tem como função retardar a assimilação de azoto pelas plantas.

Da responsabilidade da multinacional COMPO que, em conjunto com a empresa portuguesa de comercialização de adubos - Deiba e o contributo científico do IPBeja, os ensaios que estão a ser feitos são dados a conhecer à Voz da Planície por Manuel Patanita, docente da Escola Superior Agrária de Beja, responsável pelo Centro de Experimentação Agrícola do IPBeja. 

Manuel Patanita já possui experiência sobre o comportamento desta molécula mas aplicada em adubos sólidos em cereais, os quais já são comercializados. E confirma que a vantagem que essa molécula demonstrou é que fazendo uma aplicação única de adubo, por exemplo na altura da sementeira, a passagem do azoto na forma amoniacal para a forma nítrica é gradual, ao longo do ciclo da cultura.

Novidade são os ensaios com adubos em estado líquido que estão a ser feitos há quatro anos na Herdade Vale Mértola, em Beja, e os resultados são animadores, como descreve Manuel Patanita. 

Embora a divulgação dos resultados destes ensaios sejam da responsabilidade da COMPO Ibérica, o investigador do IPBeja acredita que dentro em breve esta técnica deverá começar a ser recomendada.


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