quadro escola

O Centro de Emprego de Beja registou esta manhã uma afluência fora do habitual. Várias dezenas de professores contratos, muitos dos quais com 15 e 20 anos de serviço, ficaram sem qualquer vínculo ao ensino. É, de resto, a primeira vez que acontece: nas listas divulgadas no início de Setembro, a nível nacional, nenhum professor contratado ficou colocado. Como resultado, há, no distrito de Beja, turmas do pré-escolar com alunos condicionais que não vão abrir. Estes professores ainda podem vir a ser colocados mais tarde embora sem certezas e com a possibilidade de ficarem a muitos quilómetros de casa e das suas famílias.

À porta do Centro de Emprego de Beja estavam várias dezenas de professores para se inscreverem no subsídio de desemprego e com eles estavam representantes do Sindicato de Professores da Zona Sul. A coordenadora Maria da Fé Carvalho falou, aos microfones da Voz da Planície sobre a cada vez maior degradação da escola pública com redução de professores e aumento do número de alunos por turma em função de medidas economicistas.

Maria da Fé Carvalho acrescentou que o Sindicato vai continuar a demonstrar ao Ministério da Educação e da Ciência e à opinião pública que estas medidas estão a contribuir para a degradação da escola pública e alerta para o facto de, como resultado da diminuição de professores, haver instituições do pré-escolar, no distrito de Beja, onde turmas com alunos inscritos condicionalmente, que não vão abrir este ano.

A Voz da Planície falou com três professores contratados que leccionam há vários anos, um dos quais, há cerca de 20 anos, que tiveram de se inscrever no desemprego.

É o caso de Filomena, professora de Educação Musical, no 2º ciclo. É de Beja, tem três filhos e, entre as várias hipóteses, pode calhar-lhe colocação em Lisboa. 

Também a Célia, professora de espanhol, anteriormente colocada no Agrupamento de Escolas nº 2 de Serpa, dá aulas há 15 anos como contratada.

O mesmo sucedeu a Jorge Palma. Professor de Educação Física, no Agrupamento de Escolas de Mértola. Como são obrigados a concorrer a dois QZP - Quadros de Zona Pedagógica - concorreu também para o Algarve. Tem dois filhos e esta situação vem alterar muito a sua vida pessoal.

Em situação precária no ensino há 15 e 20 anos, estes professores calha-lhes, em vésperas de abertura de um novo ano lectivo, um passaporte para o desconhecido.  


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