FORTES

O estudo efetuado à qualidade do ar em Fortes foi pedido pela Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e nas conclusões apresentadas refere que no conjunto, dos 14 dias de medição, a qualidade do ar atribuído no recetor é “mau” e que “viola todos os valores de segurança e de risco atribuídos pela legislação europeia e pela Organização Mundial de Saúde”.

Posto isto, Fátima Mourão, presidente da Direção da Associação de Amigos das Fortes, afirma que este estudo dá razão, infelizmente, a tudo o que a população tem vindo a denunciar há mais de 9 anos e que é preciso estar atento, assim como adotar medidas que obriguem à monitorização permanente da qualidade do ar nesta localidade.

Nos resultados apresentados pode ler-se, nas conclusões, que a “I parte do estudo” não “inclui a caraterização das partículas provenientes do processo de queima e não queima” e que é feita a recomendação de que esta medição deverá ser efetuada “na II parte deste estudo”.

A Voz da Planície conseguiu apurar, junto da Câmara de Ferreira do Alentejo, que a APA, contratada pela autarquia, vai continuar a medir a qualidade do ar após a entrada em funcionamento da fábrica e que no dia 9 deste mês está prevista vistoria técnica pelo IAPMEI, responsável pelo licenciamento e pela CCDR Alentejo, responsável pela fiscalização, que dará, ou não, autorização para a retoma da laboração. O regresso à laboração implicará sempre a análise continua das emissões na chaminé, em processo de auto-regulação por uma entidade independente.

Recorde-se que no passado dia 26 de setembro, a Voz da Planície fez uma notícia onde escreveu que “a administração da AZPO insiste que a qualidade do ar em Fortes nunca foi afetada pela laboração da unidade” e que suportou a sua afirmação “num estudo que foi feito com fábrica a trabalhar, e com a fábrica sem trabalhar, em que os resultados apontaram para níveis da qualidade do ar abaixo do limite legal, não representando qualquer perigo para a saúde pública." Altura em que a empresa revelou, igualmente, os investimentos realizados, nomeadamente no pavilhão de acondicionamento da matéria-prima, que já está concluído, na chaminé, que passou de 20 para 40 metros de altura e no transporte de matéria-prima dentro da fábrica, no valor de 1 milhão e 200 mil euros. Sobre o estudo apresentado na Assembleia Municipal de Ferreira do Alentejo, a empresa responsável pela unidade de transformação de bagaço de azeitona de Fortes diz nada saber.

Nota: Foto de Rosário Silva (Renascença).


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