Cabeça Gorda é conhecida como terra de botas caneleiras. Ainda se lá fazem à medida. Mas o movimento dos clientes baixou como do dia para a noite. Apesar disso, Miguel Guerreiro ainda consegue tirar o rendimento que precisa para o seu dia-a-dia. Até porque, além de sapateiro, também faz barba e cabelo. Nas horas vagas dedica-se à caça…

Cabeça Gorda é conhecida como terra de botas caneleiras. Ainda se lá fazem à medida. Mas o movimento dos clientes baixou como do dia para a noite. Apesar disso ainda subsistem dois sapateiros: José Isabel e Miguel Guerreiro. Este último começou a trabalhar aos 10 anos na casa do mestre, Manuel Pardal, hoje com 91 anos.

Miguel Guerreiro leva 50 de profissão tendo sucedido ao mestre. E conta-nos como agora são poucas as encomendas à medida. Mas, quando aparece um cliente que quer mandar fazer uma botas caneleiras, tira-se a medida ao pé, faz-se o molde, acerta-se o molde pela forma e, tendo como matéria-prima, pele de vitela engordurada, entra-se no processo de criação da bota, mais concretamente, na arte de talhar a bota.

Com a clientela muito reduzida em relação ao que era costume há uns anos, os actuais clientes das botas caneleiras, a maioria dos quais antigos, são pessoas com boas condições financeiras. Porque, como nos explica Miguel Guerreiro, há muita gente que gostaria de ter umas botas destas mas, para quem ganha 500 ou 600 euros é difícil dar 200 por um par. São 200 euros que levam três dias a fazer e quase uma vida a gastar-se.

Nesta casa chegaram a trabalhar seis homens. Hoje é só um e ainda tem tempo para fazer cabelo e barba. Sim, porque Miguel Guerreiro também se ajeita nas artes da barbearia. Ao fundo da sapataria uma porta conduz-nos à barbearia equipada com tudo o que diz respeito à profissão. As paredes estão decoradas com a sua equipa de futebol de coração e, entre quadros oferecidos, inclui fotos de caça porque, a juntar aos ofícios já referidos, Miguel Guerreiro também se dedica às artes da caça.

Os tempos áureos das botas talhadas à mão vão longe mas Miguel Guerreiro diz que ainda consegue ir tirando rendimento para o seu dia-a-dia. Até porque, o seu trabalho rende 12 a 13 horas por dia. Embora se queixe, a brincar, que já apanhou o tempo dos euros.

Os tempos mudaram mas a casa de Miguel Guerreiro continua cheia de gente. Amigos e conhecidos que ali vão passando a toda a hora para dois dedos de conversa sobre a freguesia e sobre a vida.


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