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"Fogo do Vento" regressa ao Alentejo depois de um percurso internacional premiado

"Fogo do Vento" regressa ao Alentejo depois de um percurso internacional premiado

Foto: Clarão Companhia

Destacado pela revista The New Yorker como um dos 20 melhores filmes estreados em 2025, "Fogo do Vento", primeira longa-metragem de Marta Mateus, rodada no Alentejo e protagonizada maioritariamente por pessoas da região, será exibida em várias salas alentejanas ao longo das próximas semanas, com sessões e conversas com a realizadora. Depois da estreia mundial em Locarno, de uma ampla circulação internacional e de vários prémios, o filme regressa agora ao território onde nasceu. Em Beja, será exibido amanhã e quarta-feira, dias 29 e 30 de setembro, no Pax Julia, Teatro Municipal. A sessão do primeiro dia acontece às 21h00 e a segunda sessão, no dia 30, será às 10h00 e é destinada às escolas. Produzido pela Clarão Companhia, em coprodução com a Casa Azul Films e a Les Films d'Ici, "Fogo do Vento" resulta de um processo de rodagem desenvolvido ao longo de quatro anos.

Após a estreia nacional e de ter feito um extenso percurso internacional, o filme "Fogo do Vento", a primeira longa-metragem da realizadora portuguesa Marta Mateus, chega agora a várias salas de cinema do Alentejo. Depois de Beja, o filme segue para Estremoz (9 e 10 de outubro), Vila Viçosa (16 de outubro) Avis (23 de outubro).

Encontram-se ainda em preparação novas sessões noutros concelhos da região, que serão anunciadas brevemente.

Rodado no Alentejo e profundamente ligado às memórias e vivências do território onde Marta Mateus cresceu, "Fogo do Vento" constrói um retrato íntimo e coletivo de uma comunidade marcada pelo trabalho, pela oralidade, pela partilha e pelas lutas que atravessam diferentes gerações.

O elenco é composto maioritariamente por atores não profissionais do concelho de Estremoz, entre trabalhadores rurais, membros da comunidade cigana e familiares da própria cineasta. Muitos deles tinham já participado na curta-metragem "Farpões Baldios". São as suas vozes, memórias e experiências o centro do filme.

A narrativa parte de uma jornada de vindima interrompida por um acidente. Uma jovem corta-se e o seu sangue mistura-se com o vinho. Ameaçados por um touro negro, os trabalhadores refugiam-se nas copas dos sobreiros. Nesse lugar suspenso, entre a ameaça e a espera, emergem histórias de guerra e de paz, de violência e afeto, e memórias individuais e coletivas que atravessam vários momentos da história portuguesa.

Desde a estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Locarno, "Fogo do Vento" tem circulado por festivais em cidades como Londres, Tóquio, Viena, Hamburgo, Valdivia ou Jeonju.

O filme recebeu, entre outras distinções, o Prémio FIPRESCI no Festival de Gijón, o prémio de Melhor Primeiro Filme no Festival de Busto Arsizio, o Prémio Especial do Júri no Avant-Garde Film Festival de Atenas, o prémio de Melhor Realização no Caminhos do Cinema Português e o Grand Jury Prize no Most – Festival Internacional de Cinema del Vi.

A obra integrou ainda ciclos e apresentações dedicados ao trabalho de Marta Mateus em instituições de referência como Harvard, Yale, Princeton, Stanford, Berkeley e o Anthology Film Archives, confirmando a projeção internacional da realizadora e da sua obra.

O regresso de "Fogo do Vento" ao Alentejo assume, por isso, um significado particular. Depois de circular internacionalmente, o filme volta agora às paisagens, às comunidades e às pessoas que estiveram na origem da obra e que lhe deram parte da sua memória e identidade.


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