Após a estreia nacional e de ter feito um extenso percurso internacional, o filme "Fogo do Vento", a primeira longa-metragem da realizadora portuguesa Marta Mateus, chega agora a várias salas de cinema do Alentejo. Depois de Beja, o filme segue para Estremoz (9 e 10 de outubro), Vila Viçosa (16 de outubro) Avis (23 de outubro).
Encontram-se ainda em preparação novas sessões noutros concelhos da região, que serão anunciadas brevemente.
Rodado no Alentejo e profundamente ligado às memórias e vivências do território onde Marta Mateus cresceu, "Fogo do Vento" constrói um retrato íntimo e coletivo de uma comunidade marcada pelo trabalho, pela oralidade, pela partilha e pelas lutas que atravessam diferentes gerações.
O elenco é composto maioritariamente por atores não profissionais do concelho de Estremoz, entre trabalhadores rurais, membros da comunidade cigana e familiares da própria cineasta. Muitos deles tinham já participado na curta-metragem "Farpões Baldios". São as suas vozes, memórias e experiências o centro do filme.
A narrativa parte de uma jornada de vindima interrompida por um acidente. Uma jovem corta-se e o seu sangue mistura-se com o vinho. Ameaçados por um touro negro, os trabalhadores refugiam-se nas copas dos sobreiros. Nesse lugar suspenso, entre a ameaça e a espera, emergem histórias de guerra e de paz, de violência e afeto, e memórias individuais e coletivas que atravessam vários momentos da história portuguesa.
Desde a estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Locarno, "Fogo do Vento" tem circulado por festivais em cidades como Londres, Tóquio, Viena, Hamburgo, Valdivia ou Jeonju.
O filme recebeu, entre outras distinções, o Prémio FIPRESCI no Festival de Gijón, o prémio de Melhor Primeiro Filme no Festival de Busto Arsizio, o Prémio Especial do Júri no Avant-Garde Film Festival de Atenas, o prémio de Melhor Realização no Caminhos do Cinema Português e o Grand Jury Prize no Most – Festival Internacional de Cinema del Vi.
A obra integrou ainda ciclos e apresentações dedicados ao trabalho de Marta Mateus em instituições de referência como Harvard, Yale, Princeton, Stanford, Berkeley e o Anthology Film Archives, confirmando a projeção internacional da realizadora e da sua obra.
O regresso de "Fogo do Vento" ao Alentejo assume, por isso, um significado particular. Depois de circular internacionalmente, o filme volta agora às paisagens, às comunidades e às pessoas que estiveram na origem da obra e que lhe deram parte da sua memória e identidade.
© 2026 Rádio Voz da Planície - 104.5FM - Beja | Todos os direitos reservados. | by pauloamc.com