De acordo com o CM, a ferramenta permite ordenar jornalistas em função do impacto das suas publicações, com o objetivo de antecipar crises mediáticas e ajustar a comunicação do executivo.
Numa conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, André Moz Caldas, membro do Secretariado Nacional do PS, pediu ao Governo uma “resposta política clara e transparência” e defendeu que o contrato celebrado torna-se “politicamente relevante” por criar “rankings individuais de jornalistas, classificando-os pelo número de notícias que produzem e pelo impacto que essas notícias têm”.
Em comunicado divulgado minutos antes do início da conferência de imprensa do PS, o Governo afirmou que a ferramenta contratada da NewsWhip é "um tipo de clipping moderno" que pesquisa em fontes abertas e de conteúdos públicos e rejeitou que seja usada para monitorizar jornalistas.
O PS exige que o Governo esclareça “para que fins é utilizada a funcionalidade de ranking de jornalistas”, bem como quem tem acesso a essa informação, quer saber se a Comissão Nacional de Proteção de Dados foi consultada antes da celebração deste contrato, e ainda que “garantias existem de que esta ferramenta não é, nem será, utilizada para fins partidários”.
André Moz Caldas pediu também a divulgação integral do caderno de encargos, argumentando que, embora neste caso não seja obrigatório, um “assunto desta delicadeza” exigia uma atitude de maior transparência por parte do executivo.
“Se o Governo não tiver nada a esconder, estas perguntas têm resposta o mais urgentemente possível nas próximas horas”, rematou o também presidente da Assembleia Municipal de Lisboa.
O socialista disse não excluir iniciativas parlamentares ou de outro âmbito e recordou que no Reino Unido, entre 2019 e 2022, o mesmo fornecedor foi contratado pelo Governo e “o que começou como monitorização de desinformação acabou documentado num relatório de mais de 100 páginas sobre unidades governamentais que vigiavam jornalistas e políticos individualmente”.
Para o dirigente do PS, “este caso não é um acidente”, mas sim um padrão de um executivo que “revela uma dificuldade persistente em compreender o papel da comunicação social numa sociedade livre e democrática”.
“Já o víramos na prática sistemática de evitar iniciativas em que os jornalistas possam questionar livremente e na preferência por aparições controladas, concebidas pela Central de Comunicação do Governo, para serem transmitidas sem contraditório. E já o viramos nas tentativas de impor novos modelos de governação à RTP e à Lusa que fragilizam a sua independência editorial”, disse.
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