Os títulos das manchetes vão dando conta da troca de argumentos (ou da falta deles) entre os vários candidatos. Insultos, polémicas, acusações, reclamações, birras e, de vez em quando, um pouco de política, mas sempre nos mínimos.
Há de tudo, mas não há para todos os gostos. E o pior, é que alguns têm questões sérias, mesmo muito sérias, para resolver com a justiça e se ela realmente funcionasse, não poderiam sequer ser candidatos a qualquer cargo político.
Para arranjar trabalho é preciso ter cadastro limpo. Para ser Presidente da República, não?
Enquanto, "Cotrim pede a Montenegro voto do PSD para evitar ter um PR do PS ou Chega"*, "Mendes acusa Cotrim de “exibicionismo” e responde com nova presença de Montenegro hoje"*.
Na outra ponta da direita, "Ventura acusa Montenegro de querer ser o “salva boias” de Marques Mendes"* e "diz que não quer apoio do primeiro-ministro"*.
No centro, "Seguro quer passar à 2.ª volta em primeiro para travar “candidato do extremismo”"* e "Gouveia e Melo manifesta-se angustiado com riscos de escolha de um mau Presidente"*.
À esquerda, "Jorge Pinto diz que ver Seguro a falar da Constituição “mostra bem a validade” da sua candidatura"*, "Catarina Martins avisa que “sondagens não são votos” e reforça apelo ao voto por convicção"* e "António Filipe critica “campeonato da moderação” entre adversários"*.
Para concluir este belo ramalhete, "Manuel João Vieira pede ao Metro de Lisboa para que "passe um bocado mais ao lado"* e "que vá até Campo de Ourique". Haja, pelo menos, alguém que nos faça rir no meio de tanta gente sem graça.
O que sobressai nisto tudo? Que muito pouco ou nada dizem sobre como resolver os problemas que realmente interessam aos eleitores, mas na hora de votar, é dos eleitores que eles gostam mais (já que andamos nesta espécie de carnaval antecipado).
E é que andamos neste "baile" há meses (anos)! Se esta novela durasse mais um dia sequer, talvez o resultado fosse aquele que o país mais precisa. Uma gigantesca abstenção para que Portugal fizesse um reset e pensasse bem no que andamos todos aqui a fazer (isto é só um daqueles desabafos de mesa de café).
Ou, olhando agora para a tv, que ocupa metade de uma parede do café, se calhar é melhor não. E ouve-se alguém encostado ao balcão a dizer "lá teremos de ir votar, até porque para pior, antes assim!" Assim como? É que essa é a grande questão, porque já ninguém sabe muito bem onde estamos e muito menos para onde vamos.
O que é garantidamente urgente? Fortalecer as instituições que ainda vão defendendo esta fragilizada democracia, cada vez mais presa por arames. Como é que isso se faz? Votando. Resulta? Pois..."lá teremos de ir votar" para garantir que sim.
Como disse uma jovem corajosa ao enfrentar um proto-ditador, "as coisas não estão bem, mas consigo ficavam piores". Parece que, de alguma forma, estas simples mas certeiras palavras podem servir para outros candidatos e também alguns eleitores. Mais que não seja para parar, respirar, refletir e pensar, em primeiro lugar no que não se deve dizer e depois no que realmente interessa fazer. Mas, os candidatos já tiveram tempo a mais para falar e os eleitores já não têm nem tempo nem paciência para os ouvir.
Mas, sim, "lá teremos de ir votar". Pela nossa sanidade mental e para que este circo mediático, que enche horas de televisão, redes sociais, primeiras páginas de jornais, salas de espera, capas de revista, conversas de café, urgências de hospitais, que azeda o vinho e estraga refeições em família, acabe de uma vez.
Nunca foi tão fácil para alguns e tão difícil para outros, escolher um candidato para uma qualquer eleição do que quer que seja. E, tal como tem acontecido, alguns vão votar a pensar só e apenas nos seus e os outros lá terão de ir votar a pensar em todos. Com a escabrosa nuance de que a história está a repetir-se, a todos os níveis, e este vai ser, muito provavelmente e para muitos eleitores, o sentimento de utilidade mais inútil que alguma vez sentiram.
E todo este peso da dúvida, mais o do "tem de ser", é péssimo para quem quer mudar, não tudo, mas pelo menos alguma coisa, para melhor e para todos.
As eleições (mais umas) são no domingo, dia 18. Finalmente? Se houver segunda volta, "lá teremos de ir votar" outra vez.
Pedro M. Frazão
* títulos de notícias da Agência Lusa
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