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Ambiente

Pecuária extensiva pode mitigar efeitos das alterações climáticas

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Pecuária extensiva pode mitigar efeitos das alterações climáticas

Dez projetos europeus ligados à adaptação às alterações climáticas e à proteção da biodiversidade, lançam esta semana um manifesto em defesa da pecuária extensiva e apontam contribuições essenciais desta atividade agrícola.

Estes projetos surgem de países como Portugal, Espanha, Itália e Grécia, e a iniciativa de desenvolver este manifesto, intitulado de “Mais pecuária extensiva, mais biodiversidade para a Europa”, surge no âmbito da celebração dos 30 anos do projeto LIFE da União Europeia, avança a ADPM - Associação de Defesa do Património de Mértola.

Algumas das contribuições desta atividade agrícola referidas como essenciais são: a prevenção dos incêndios, o combate às alterações climáticas, o reforço da soberania alimentar, a preservação da biodiversidade e a sustentação da população nas zonas rurais.

O documento desenvolve as cinco principais razões para promover a pecuária extensiva na Europa e propõe dez medidas de apoio a este sistema de produção, para que continue a proporcionar benefícios à biodiversidade, à resiliência dos territórios e às comunidades locais que dele dependem.

Ricardo Vieira, técnico da ADPM, explica que no manifesto criaram “pontos fortes e pontos fracos” deste tipo de produção em extensivo, de forma a demonstrar junto da sociedade e dos decisores políticos os benefícios que este tipo de atividade agrícola traz para o ambiente, sociedade e economia.

Falando na questão dos incêndios que todos os anos assola o País, Ricardo Vieira refere que “temos grandes área a ser devastadas pelo fogo, que poderiam ser aproveitadas, neste caso pelos animais, se houvesse um apoio ou incentivo para que os produtores continuem a trabalhar nestas zonas florais - e onde há uma baixa densidade populacional muito grande - para que o agricultor e o produtor seja o trabalhador efetivo e que gere a floresta de uma maneira sustentável”, para que, deste modo, possa contribuir para mitigação dos problemas sentidos tanto das alterações climáticas, como dos incêndios.

“Se tivermos uma floresta, uma paisagem e uma pastagem controlada pelos animais temos uma paisagem limpa”, o que é “benéfico para todos”, conclui o técnico da ADPM.

No comunicado é dito ainda que “o abandono da pecuária tradicional e a sua industrialização progressiva, juntamente com os efeitos adversos das alterações climáticas, tornam urgente a implementação de um Plano de Ação Estratégico para a Adaptação da Pecuária Extensiva às Alterações Climáticas, que permitam manter ecossistemas funcionais e biodiversos, bem como um mundo rural vivo”.

Neste sentido, e indo de encontro ao que sublinhou Ricardo Vieira, “a gestão do pastoreio melhora a fertilidade do solo, previne a erosão e contribui para o sequestro e fixação de carbono no solo, permitindo ainda reduzir a dependência de fertilizantes minerais e

mantendo a capacidade produtiva dos nossos solos”.

A presença de gado também ajuda na disposição de sementes, promove o ciclo de nutrientes à escala de paisagem e reduz a acumulação de biomassa vegetal combustível, ajudando assim a reduzir a frequência e intensidade dos incêndios rurais.

De acordo com a nota de imprensa, ao longo dos últimos 30 anos, a União Europeia tem vindo a fazer um esforço de financiamento de projetos LIFE com o objetivo de “promover o conhecimento científico e sua transferência para melhorar a gestão agrícola, aumentar o valor dos produtos da pecuária extensiva e promover inovação no sector”. Contudo, este tipo de apoio não tem sido suficiente e a pecuária extensiva continua a diminuir na Europa, devido ao desaparecimento de pequenas e médias explorações agrícolas.

O programa LIFE é o instrumento de financiamento da União Europeia para o ambiente e a ação climática que celebra este ano o seu 30ª aniversário. Cofinanciou mais de 5.500 projetos dentro e fora da UE. Com um orçamento de cerca de 5 mil milhões de euros, tem apoiado a proteção e conservação da natureza e projetos de ação climática em toda a Europa, abrindo rumo a um futuro mais sustentável.

Consulte aqui o Manifesto “Mais pecuária extensiva, mais biodiversidade para a Europa”.


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