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Movimento Hospital Serpa diz que há "privatização encapotada da Misericórdia"

Movimento Hospital Serpa diz que há "privatização encapotada da Misericórdia"

Foto: CM Serpa

Em comunicado enviado à redação da Rádio Voz da Planície, o Movimento Hospital Serpa descreve aquilo a que chama de "uma situação grave", a que se vive atualmente na Santa Casa da Misericórdia de Serpa, e reforça que "não surgiu por acaso". Segundo palavras do movimento, este "é o resultado de opções políticas erradas, tomadas ao longo de mais de uma década, e da recusa em corrigir um caminho que desde cedo se revelou prejudicial para os trabalhadores, para os utentes e para o concelho". Para o Movimento, a origem do problema está na decisão de entregar a gestão do Hospital de São Paulo à Santa Casa da Misericórdia de Serpa, "apesar de a instituição não possuir experiência na administração hospitalar nem condições para assumir uma responsabilidade desta dimensão". A nota do Movimento acrescenta que a aposta devia ter ido no sentido de "reforçar o Serviço Nacional de Saúde", no lugar de se "transferir para uma IPSS uma missão que competia ao Estado assegurar".

Quando começaram a surgir os primeiros sinais de insustentabilidade, quando foram denunciadas as dificuldades financeiras e de gestão, quando se tornaram evidentes os problemas no funcionamento do hospital, o caminho deveria ter sido outro: devolver imediatamente o Hospital de São Paulo ao Serviço Nacional de Saúde, garantindo a sua gestão pública, os cuidados de saúde às populações e a estabilidade dos trabalhadores.

Mas foi precisamente o contrário que aconteceu. Persistiu-se no erro. Continuaram a ser canalizados investimentos, incluindo para o bloco operatório, sem nunca resolver a questão essencial: quem deve garantir os cuidados hospitalares é o SNS e não uma instituição sobrecarregada com responsabilidades para as quais nunca esteve preparada.

Hoje, perante as dificuldades acumuladas, pretende-se dar mais um passo no caminho da privatização. Sob o pretexto de resolver problemas financeiros, avança-se para a entrega da gestão de importantes respostas sociais e de saúde a interesses privados, substituindo a missão social por uma lógica de negócio, onde a redução de custos e a maximização do lucro passam a ser os principais objetivos.

Quem paga esta opção são, desde logo, os trabalhadores.

São homens e mulheres que, ao longo dos últimos anos, já viram direitos laborais postos em causa, créditos salariais por regularizar e condições de trabalho degradadas. Agora enfrentam ainda a ameaça de despedimentos coletivos, eliminação de postos de trabalho, não renovação de contratos e outras medidas que apenas procuram fazer recair sobre quem trabalha o custo de decisões de gestão pelas quais não têm qualquer responsabilidade.

A solidariedade para com estes trabalhadores não pode ser apenas de palavras. É necessário garantir todos os postos de trabalho, todos os direitos laborais, a antiguidade, as remunerações e o pagamento integral das verbas em dívida.

Mas está igualmente em causa muito mais do que o futuro dos trabalhadores.

Está em causa o próprio futuro do concelho de Serpa.

Dezenas de famílias poderão ver agravadas as dificuldades que já enfrentam. Perde a economia local. Perde a coesão social. Perdem os utentes, que arriscam ver serviços essenciais subordinados a critérios exclusivamente financeiros.

E perdem também as futuras gerações, que depois de uma vida inteira de contribuições para a Segurança Social poderão encontrar cada vez mais obstáculos no acesso a respostas sociais e de saúde que devem constituir um direito e nunca um negócio.

A solução existe e exige vontade política.

O Governo deve assumir as suas responsabilidades e integrar definitivamente o Hospital de São Paulo e o bloco operatório na esfera do Serviço Nacional de Saúde, garantindo uma gestão pública, transparente e articulada com o restante SNS.

Essa decisão permitiria à Santa Casa da Misericórdia de Serpa recentrar-se na sua verdadeira missão: o apoio social, a proteção dos idosos, das famílias e das pessoas mais vulneráveis, áreas onde possui um papel insubstituível e um património humano construído ao longo de gerações.

Desumanizar os serviços, afastar a gestão da comunidade e entregar património social a interesses privados não resolve os problemas. Pelo contrário, agrava-os.

Privatizar é piorar Serpa.
É enfraquecer o Serviço Nacional de Saúde.
É colocar em risco empregos, direitos e serviços públicos.

O que se exige é precisamente o contrário: mais Estado, mais Serviço Nacional de Saúde, mais proteção para os trabalhadores e uma Santa Casa concentrada na sua missão social.

É tempo de inverter este caminho.
Em defesa dos trabalhadores.
Em defesa do Hospital de São Paulo.
Em defesa da Santa Casa da Misericórdia de Serpa.
Em defesa das populações e do futuro do concelho de Serpa.


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