A Quercus "saúda a chegada do SDR a Portugal que, no entanto, peca por tardia", referindo que Portugal é "o 19º país da União Europeia a implementá-lo". Esta tem sido, aliás, uma reivindicação da Associação nos últimos anos, que espera que "seja agora o empurrão definitivo para ajudar a cumprir as metas nacionais de reciclagem de embalagens (70% já este ano e 90% em 2029) e de incorporação de plástico reciclado em novas embalagens (30% em 2030 e 65% em 2040)".
"A Quercus lamenta ainda que não tenha sido ponderado o regresso da retoma de garrafas de vidro com tara recuperável (que já existiu em Portugal), que seria um importante incentivo à reutilização destas embalagens e redução de resíduos", ressalva a associação.
"Por outro lado, em alguns países europeus, como a Alemanha, a Dinamarca, a Finlândia ou a Croácia, as embalagens de vidro estão abrangidas por sistemas de depósito e reembolso semelhantes ao “Volta”, o que será um passo óbvio para impulsionar a recolha seletiva deste fluxo. A mesma registou uma quebra de 1% em 2025 e tem estado estagnada nos últimos anos, comprometendo a meta de reciclar 75% até 2030 (estamos nos 56%)", refere também a Quercus.
Para o sucesso do SDR, de acordo com a associação, "é fundamental re-educar os consumidores, explicando a sua complementaridade com os atuais sistemas de recolha seletiva, nomeadamente os ecopontos e os sistemas porta-a-porta". Para a Quercus, "estes continuam a desempenhar um papel fundamental, devendo ser utilizados para todas as embalagens de bebidas não abrangidas pelo SDR (garrafas PET e latas de metal ainda sem o símbolo “Volta” e todos os outros formatos/materiais excluídos, como garrafões de água, ECAL,vidro ou bebidas com mais de 25% de origem láctea)".
A Quercus considera igualmente "positivo que o SDR abranja também, através dos pontos de recolha manual, o pequeno comércio e o Canal Horeca, onde são consumidas garrafas e latas de bebidas de uso único em quantidades consideráveis". No entanto, a associação questiona "se o mesmo conseguirá dar resposta de forma abrangente e descentralizada às cerca de 12 mil lojas tradicionais e 80 mil pontos Horeca existentes no país". A Quercus considera também que "o sistema deve antecipar e adaptar soluções que permitam a recolha e devolução de depósito destas embalagens em grandes eventos associados a um grande consumo de bebidas engarrafadas ou enlatadas, tais como festivais, eventos desportivos, etc".
Para a associação "o reembolso do depósito de 10 cêntimos de cada embalagem, nos 2500 pontos de recolha automáticos presentes em supermercados e hipermercados" é excelente, mas "será feito através da emissão de vouchers impressos". Na opinião da Quercus, "este método em papel deve ser complementado com um sistema de vouchers digitais através da acumulação de saldo numa aplicação móvel, desmaterializando e otimizando o processo e evitando o gasto de matérias-primas".
Há também a questão da implementação deste sistema, que "não deve fazer esmorecer o incentivo ao uso de soluções mais sustentáveis a montante, como a promoção de recipientes reutilizáveis para bebidas e o incentivo ao consumo de água da torneira sempre que possível". Para a Quercus "a prevenção continua a ser a estratégia mais eficaz na redução de resíduos".
A associação compromete-se a "acompanhar a implementação do SDR, contribuindo para o seu aperfeiçoamento e defendendo soluções que promovam uma gestão de resíduos mais eficiente, justa e sustentável".
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