fotos: Sebas Ferreira
Esse reencontro faz-se também através de novas vozes e colaborações criativas. Chorar no Club é o primeiro disco onde Carolina assume, artisticamente, uma identidade múltipla, feita de heterónimos, vontades e camadas. Cada faixa é habitada por diferentes versões de si mesma: mais ousadas, mais frágeis, mais nocturnas ou mais cruas. Ao partilhar a produção com outros criadores, multiplica também a narrativa: deixa de ser apenas uma voz e passa a ser muitas.
MAR revelou-se uma descoberta transformadora — produtora, cantora, engenheira de som e presença criativa luminosa. Alguém que a inspirou a criar sem medo, sem pedir licença, sem ter de se justificar. Jon., que já havia colaborado com Carolina no álbum CAOS, assume aqui a produção plena, com a confiança total da artista no seu universo sonoro. D’AY foi o primeiro a gravar com Carolina neste ciclo: Tua e Terra é Redonda nasceram logo nas primeiras sessões e, apesar de terem ficado em suspenso, regressaram para fechar o alinhamento com a força certa. Quanto a Feodor Bivol, amigo e diretor musical, é uma peça fundamental no resultado final deste disco, alguém com quem Carolina já explorou diferentes linguagens e que volta agora a ser âncora e motor criativo.
Carolina Deslandes continua a afirmar-se como uma das mais completas, criativas e influentes artistas da sua geração. Em 2023, lançou o álbum duplo CAOS / CALMA, com temas como “Vai Lá”, “Saia da Carolina” e “Brincar de Ser Feliz”. Entre os seus maiores sucessos contam-se também “Avião de Papel” (com Rui Veloso) e “A Vida Toda”. Com mais de 130 canções registadas na SPA, soma milhões de audições e tornou-se uma referência transversal para o público, para as novas gerações e para a própria música pop feita em Portugal.
Nas palavras da artista, "'Chorar no Club' é uma festa — sobre o quanto precisamos todos de terapia e de curar os nossos corações partidos. Este álbum acendeu uma vontade e uma sede que eu não sabia que precisava. Adoro sair da caixa em que toda a gente acha que eu vivo. Não me quero repetir, não quero ficar demasiado confortável na minha pele. Quero experimentar, quero dar o que tenho e o que ainda nem sei que existe — ser artista é viver a fazer perguntas. 'Chorar no Club' é um reencontro com a mulher que fui antes da maternidade e com a mulher que estou a descobrir — é ousado, feminista, sexual, também solitário, introspectivo, e acima de tudo, livre. É um álbum que fala sobre fugirmos das nossas vidas para a noite, não para fingir que somos felizes, mas para enganar a solidão e chorar a dançar, misturado na multidão. Vivi muito tempo da minha vida a trabalhar em discotecas e a escapar da minha casa. Costumava dizer que tive mais conversas honestas numa cabine de DJ do que numa igreja. 'Chorar no Club' é o meu primeiro álbum com heterónimos. Cabem nele todas as minhas personalidades, e com elas as suas dúvidas, os seus desejos. É o primeiro álbum que faço desde o 'Casa' que tem vários produtores — amo cada um deles com todas as minhas personalidades."
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