“O objetivo [deste investimento] é contribuir fortemente para o ensino no 1.º ciclo, de uma forma mais consistente e com melhores condições”, explicou hoje à agência Lusa o presidente da ADPM, Jorge Revez.
Segundo este responsável, as novas infraestruturas foram inauguradas no arranque do novo ano letivo em Moçambique e irão “impactar a vida” de 9.370 alunos e quase uma centena de professores.
O investimento, avaliado em quase 700 mil euros, foi cofinanciado pela delegação da União Europeia em Moçambique e pela Embaixada de Portugal em Maputo, capital do país, através do instituto Camões.
Na opinião de Jorge Revez, este projeto “tem um impacto muito forte nas crianças e nas comunidades”, pois proporciona “condições de aprendizagem que não existiam na maior parte destes locais”, onde “algumas das aulas eram debaixo das mangueiras” [árvore de fruto] ou “em infraestruturas completamente degradadas”.
A par disso, acrescentou, todas as escolas foram equipadas com água canalizada e casas de banho, “o que é também uma novidade grande”.
“São escolas dignas, daí que diga que [este investimento] é muito importante para as próprias comunidades e um incentivo direto e indireto à educação muito forte”, reforçou Jorge Revez.
O programa “Novos Horizontes” vai ser dinamizado nesta província pela ADPM, até 31 de outubro de 2027, tendo como objetivo geral “contribuir para a redução dos fatores de vulnerabilidade e para a resiliência das comunidades do norte de Moçambique através da melhoria dos serviços sociais básicos”, anunciou a associação em comunicado.
A iniciativa visa, em concreto, “promover a melhoria das condições e do acesso à educação na província de Nampula, em colaboração com as autoridades públicas e mobilizando a sociedade civil”.
O projeto, que tem a colaboração das organizações não-governamentais HELPO e Ajopcipa e dos governos distritais de Érati, Muecate, Monapo e Mecubúri, prevê a construção ou requalificação de infraestruturas escolares e a promoção de um programa de aprendizagem acelerada.
Estão igualmente previstas, entre outras ações, a dinamização de um programa de promoção da escolaridade feminina, a constituição de redes comunitárias para a proteção da criança e a criação de um programa de incentivo ao associativismo jovem.
“As obras são apenas a face visível [do projeto] e aquilo que é muito necessário lá. Mas o nosso objetivo é, de facto, a capacitação de professores, alunos, médicos e enfermeiros”, frisou o presidente da ADPM.
O projeto “Novos Horizontes” constitui mais uma etapa no trabalho desenvolvido pela associação alentejana na província de Nampula desde 1998, através das iniciativas como “Superar a Sobrevivência”, “AGORA – Agricultura e Oportunidades de Resiliência e Adaptação em Moçambique” ou “AGIR – Acesso Garantido e Inclusão Reforçada da Mulher em Monapo”, entre outras.
“Temos contribuído decisivamente para o bem-estar e para a melhoria e para o futuro de umas largas centenas de famílias naquela província”, concluiu Jorge Revez.
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