A APCOI lançou um site dedicado às autarquias, em desafio.heroisdafruta.com/autarquias, através do qual "convida as câmaras municipais e as juntas de freguesia de todo o país a tornarem-se parceiras oficiais do projeto".
De acordo com a APCOI, "ser autarquia parceira é gratuito e assenta em três passos simples". Primeiro, apelar à participação das "escolas do território, com convites prontos a enviar". Em segundo, alastrar "o desafio à comunidade, com materiais de divulgação preparados pela APCOI". E por último, fazer o acompanhamento dos resultados, "com dados em tempo real sobre as turmas inscritas" em cada um dos concelhos e respetivas freguesias.
"O registo dá acesso a uma área reservada, onde a parceria é formalizada com a assinatura digital de um protocolo de cooperação. Na mesma página, qualquer pessoa pode consultar, em tempo real, as escolas de cada concelho e freguesia do distrito já inscritas neste ano letivo. Os agrupamentos e as escolas podem inscrever as suas turmas, também gratuitamente, até 31 de outubro", refere a APCOI.
A aposta passa por dois modelos, o gratuito e o cofinanciado, e ambos geram resultados. No primeiro caso, "já muda hábitos nas escolas de todo o país". No segundo, "com o cofinanciamento de parceiros locais, os resultados podem ser ainda maiores".
Como exemplo de sucesso, a associação apresenta os dados da Freguesia da Ajuda, em Lisboa, sublinhando que "o poder local pode transformar as escolas". Foi o que mostrou o projeto-piloto "Heróis da Fruta 2.0", testado naquela freguesia, no passado ano letivo, "no âmbito do programa Cities for Better Health da Novo Nordisk, com avaliação de resultados realizada pelo Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (ISAMB-FMUL)".
A comparação entre os resultados locais e nacionais, mostra bem a diferença do impacto que pode ter o poder local na implementação do programa. Na Freguesia da Ajuda, as escolas que aderiram chegaram aos 90%, contra os 7% a nível nacional. Todas as turmas inseridas no projeto "concluíram o desafio", enquanto que a nível nacional apenas 28% o fizeram. Quanto às crianças que durante o projeto provaram "novas frutas ou vegetais", os valores rondam os 87% naquela freguesia, enquanto que a nível nacional não passou dos 54%.
Durante a 1.ª Conferência Heróis da Fruta, Jorge Marques, Presidente da Junta de Freguesia da Ajuda, disse que a "alimentação saudável nas escolas não é um gasto, é um dos melhores investimentos que uma autarquia pode fazer. Na Freguesia da Ajuda demonstrámos que, quando a autarquia e as escolas dão as mãos, conseguimos mudar efetivamente as lancheiras dos nossos alunos."
Sobre os ingredientes secretos do projeto-piloto da Ajuda, o presidente da APCOI, Mário Silva, explicou que foi "talvez o mais simples de todos", pois "cada criança sabia que, no final das 5 semanas, as mascotes do Heróis da Fruta iam visitar a sua escola para entregar os diplomas e os prémios de participação. Quem não se esforçaria por isso? É esta motivação que queremos levar a cada vez mais escolas do país."
A comprovar que o programa "Heróis da Fruta" funciona como um promotor de equidade social, está a "avaliação científica independente realizada pelo Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa". Segundo os dados do instituto, "as crianças de famílias com menores rendimentos (escalões A e B da Ação Social Escolar) foram as que demonstraram os maiores ganhos comportamentais, atingindo 64% de consumo regular de frutas e vegetais no final da intervenção".
Para os professores, o método de gamificação (jogos, canções e missões diárias) representa uma ferramenta simples e sem sobrecarga burocrática, como explicou Carla Teodoro, professora do 1.º ciclo, durante a 1.ª Conferência Heróis da Fruta. A professora refere que a inscrição dos seus alunos nos 'Heróis da Fruta' já faz parte da preparação do ano letivo. E acrescenta que "são apenas 5 a 10 minutos diários de incentivo positivo. Se uma criança se esquece de levar fruta, os colegas partilham para que todos possam pintar a sua estrela no passaporte. Cria um espírito de entreajuda lindo na sala de aula."
A APCOI deixa um apelo final e "convoca os decisores políticos e escolares e as associações de pais do distrito de Beja a unirem-se e a aderirem a esta iniciativa. Mário Silva reforça a comunicação da associação que preside, referindo que não conseguem "chegar a todas as crianças sozinhos" e que precisam "das autarquias e dos parceiros locais para escalar este modelo e garantir que nenhuma criança da região fica para trás na prevenção da obesidade."
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