O BE contextualiza as questões colocadas na AR, com "a falta de camas a preços regulados e a especulação desenfreada no mercado de arrendamento", que "têm transformado o direito à educação num privilégio dependente da conta bancária dos estudantes e dos seus agregados familiares. Neste contexto, o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) foi apresentado pelo Governo como a ferramenta essencial para mitigar este flagelo, com a promessa de uma execução célere e de uma “nova filosofia” de construção que garantisse a dignidade habitacional aos alunos deslocados".
Pouco antes das eleições autárquicas, no dia 25 de setembro de 2025, de acordo com Fabian Figueiredo, "o Governo realizou uma cerimónia inaugural de pompa e circunstância na nova residência de Beja. Naquela ocasião, conforme registado na comunicação oficial do Governo, o primeiro-Ministro Luís Montenegro sublinhou que a obra demonstrava ser possível construir com rapidez, sustentabilidade e qualidade, afirmando que a infraestrutura era o primeiro grande projeto do PRR para o alojamento estudantil a ser concluído. No comunicado oficial intitulado "Inauguração da nova residência de estudantes do Instituto Politécnico de Beja", o executivo vangloriou-se de um ritmo de execução que permitiria dar resposta imediata às necessidades da comunidade académica".
O BE refere também que "o problema reside na profunda discrepância entre o discurso político e a realidade constatada no terreno. Passados cinco meses desde que as fitas foram cortadas perante as câmaras de televisão, a "Residência Europa" continua a ser um edifício fantasma, sem um único estudante alojado. A inauguração apressada, que serviu propósitos de calendário eleitoral, não correspondeu à entrega de um equipamento pronto a funcionar. É hoje do conhecimento público que a infraestrutura ainda carece de trabalhos fundamentais para a sua habitabilidade, nomeadamente no que diz respeito às ligações elétricas e à rede de comunicações".
Uma das situações mais preocupantes prende-se com "o facto de o IPBeja enfrentar uma crise de procura sem precedentes. No último concurso nacional de acesso, centenas de vagas em licenciaturas estruturantes ficaram por preencher, com cursos nas áreas da Agronomia e Engenharia de Alimentos a registarem zero entradas em determinadas fases", ressalva também o deputado.
Para Fabian Figueiredo, "a existência de uma residência moderna e funcional é, como admite a própria presidência da instituição, um instrumento estratégico para inverter esta tendência e garantir a coesão territorial. No entanto, manter um edifício de 22 milhões de euros fechado por falta de coordenação entre o Governo, as entidades públicas e as empresas de infraestruturas é uma falha de planeamento que prejudica diretamente o erário público e as expectativas dos jovens".
Segundo o texto do BE, a Presidente do IPBeja, Maria de Fátima Carvalho, "aponta agora o dia 1 de abril de 2026 como uma data provável para a abertura, mas admite um ceticismo que é partilhado por todos os que acompanham o processo". Os atrasos técnicos aliados às intempéries recentes, como foi o caso da tempestade Kristin, "podem ter comprometido ainda mais o cronograma das intervenções pendentes". O Bloco diz também que não pode ser aceitável que, "num país com uma carência habitacional tão severa, se inaugurem edifícios para efeitos de marketing político quando estes ainda não possuem sequer eletricidade ou internet para servir os seus ocupantes, neste caso, estudantes do Ensino Superior".
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