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Opinião

"Eleições"

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"Eleições"

Foto: Rádio Voz da Planície

"Os resultados das eleições legislativas de 10 de março, muito participadas, são conhecidos: a direita, sobretudo a extrema-direita, avançou; e a esquerda, no seu conjunto, recuou", sublinha o jornalista Carlos Lopes Pereira na crónica de opinião que pode ler, e ouvir, aqui.

"No novo parlamento, parece não haver entendimentos partidários para maiorias absolutas. O País corre o risco de ingovernabilidade. Ainda nem sequer se contaram todos os votos (faltam os da emigração) e já se fala de novas eleições dentro de um ano.

Afinal, o que é que sucedeu?

Aconteceu que, meses atrás, o Presidente da República decidiu, sem qualquer justificação democrática, dissolver o parlamento e convocar eleições.

Desde então, a generalidade dos meios de informação ajudou a forjar um contexto mediático favorável à vitória da direita. Comentadores (a larga maioria comprovadamente de direita), analistas, politólogos, professores universitários outros expertos, usando e abusando de sondagens e artimanhas, contribuíram para tal condicionamento do voto.

Nas televisões, rádios e jornais, os fazedores de opinião caluniaram e tentaram silenciar forças políticas adversárias; promoveram outras, incluindo as populistas; deram relevo ao superficial em detrimento do essencial; privilegiaram a informação-espectáculo; falsificaram factos históricos, atiçaram preconceitos; desvirtuaram o debate de ideias e o confronto de propostas programáticas; espalharam, uma vez mais, a aldrabice de que as eleições para a Assembleia da República servem para «escolher o primeiro-ministro». E, no quadro de uma campanha assim viciada, a direita populista, com amplos meios, investiu também nas redes sociais, promovendo discursos de ódio, difundindo falsas notícias, prometendo tudo a todos, explorando descontentamentos.

É evidente que tais descontentamentos têm razão de ser, mas a solução não está na extrema-direita. O desemprego, em especial nas camadas jovens, os baixos salários dos trabalhadores e as pensões miseráveis dos reformados, as dificuldades no acesso ao Serviço Nacional de Saúde e à habitação condigna, os ataques à escola pública, a degradação dos serviços públicos, os sucessivos casos de corrupção – tudo isso é da responsabilidade dos partidos que lideraram os governos do País nas últimas cinco décadas. E é uma injustiça tremenda que sejam penalizados nas urnas os que mais combateram e continuam a combater por políticas que resolvam com justiça os problemas dos trabalhadores e do povo …

*

Neste ambiente, Portugal prepara-se para comemorar, no próximo mês, os 50 anos da Revolução de Abril, um dos acontecimentos mais importantes da sua História contemporânea, pelas profundas transformações progressistas que provocou.

Será uma boa ocasião para as forças democráticas celebrarem os valores de Abril – a paz, a liberdade, a igualdade, a fraternidade, o desenvolvimento para todos, a justiça, o progresso social – e reafirmar que, apesar das dificuldades do presente, no País e no mundo, a luta por um futuro melhor não cessa."

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