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Foto: Rádio Voz da Planície de Beja

"Em Portugal, realizam-se eleições para o Parlamento Europeu a 9 de Junho. O País vai eleger 21 dos 720 deputados europeus", refere a crónica de Carlos Lopes Pereira, jornalista, que pode ler e ouvir aqui.

"A menos de um mês da ida às urnas, há pouca mobilização dos eleitores e a maior parte deles desconhece quer os candidatos – tirando um ou outro que as televisões promovem –, quer as propostas das diversas forças políticas.

Esse desinteresse terá duas razões.

Por um lado, a agenda mediática dominante está preenchida com outros assuntos mais atractivos do ponto de vista das «audiências». Assuntos que vão desde irreflectidas afirmações do Presidente da República e seu aproveitamento pela extrema-direita, até às doses maciças de contra-informação e propaganda imperial sobre o genocídio dos palestinianos perpetrado por Israel e sobre a guerra na Ucrânia, onde o Ocidente quer derrotar a Rússia.

Por outro lado, há desinteresse da maior parte dos cidadãos em relação às eleições para o Parlamento Europeu porque acham que elas não servem para nada.

Ora, a verdade é que depois da entrada de Portugal na União Europeia (então CEE, Comunidade Económica Europeia), em 1986 – ou, noutra versão, da entrada da União Europeia em Portugal –, o País perdeu a capacidade de resolver os seus principais problemas de forma soberana e independente.

Hoje, a criação de emprego; o aumento de salários, reformas e pensões; a defesa do Serviço Nacional de Saúde, da escola pública, de bons serviços públicos; a concretização do direito à habitação condigna e de outros direitos fundamentais; o investimento no transporte público e em áreas sociais; a defesa do ambiente e a preservação da biodiversidade, o acolhimento e a integração de refugiados e migrantes, a defesa da produção nacional – tudo isso depende menos de Lisboa que de Bruxelas, que representa os interesses do grande capital.

Razão têm os que defendem que os trabalhadores, o povo e o País não precisam de mais deputados no Parlamento Europeu que em Portugal defendam a União Europeia. O que precisamos é de deputados que, na União Europeia, defendam Portugal, o seu desenvolvimento, a paz.

Sabemos que a União Europeia não é o paraíso. Por exemplo:

– Desde 1996, Portugal, ao mesmo tempo que recebeu em termos líquidos 101 mil milhões de euros em fundos comunitários, viu sair do País para outros países na União Europeia mais de 168 mil milhões de euros em lucros, dividendos, rendas e juros.

– Aumentaram injustiças e desigualdades: a riqueza dos cinco homens mais ricos da União Europeia cresceu 76% desde 2020. No mesmo período, 99% da população da União Europeia tornou-se mais pobre.

– A União Europeia representa menos de 6% da população mundial e, mesmo assim, tem 15% dos bilionários do mundo inteiro e 16% da riqueza bilionária global. O 1% mais rico detém 47% da riqueza financeira total da Europa.

– Em Portugal, à medida que uma minoria concentra grande parte da riqueza que é criada, milhões de trabalhadores recebem por mês até mil euros brutos e mais de um milhão de reformados recebe pensões abaixo do limiar de pobreza.

Não tem que ser sempre assim.

Lutemos, pois, nos locais de trabalho e de residência, nas ruas e nas instituições, por melhores condições de trabalho, pela defesa dos direitos à saúde, à educação, à habitação, pela paz. Por melhores condições de vida para todos.

Esse combate passa pela eleição, a 9 de Junho, de democratas que no Parlamento Europeu defendam os interesses e as aspirações dos trabalhadores, do povo e do País."

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