A programação reuniu artistas de diferentes gerações e disciplinas, entre os quais David Infante, Horácio Frutuoso, Carincur, Sara Inês Gigante, Ana Baleia, Mariana Tengner Barros, Filippo Fiumani, João Spencer (t.204) e Francisco Bettencourt, que desenvolveram projetos em colaboração com estudantes, instituições sociais, universidades seniores, escolas de música, associações desportivas e comunidades locais.
O festival deu ainda continuidade ao Cantexto, projeto que se tem afirmado como uma referência nacional na criação de novo repertório para o Cante Alentejano através do encontro entre literatura contemporânea e património imaterial. Para esta edição convidamos os escritores Bruno Vieira Amaral, Cristina Taquelim, Hugo van der Ding, Nástio Mosquito, Patrícia Reis e Yara Nakanda Monteiro, que escrevam poemas para os respectivos grupos Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de S. Bento, Grupo Coral Feminino Alma Nova de Ferreira do Alentejo, Grupo de Canto Coral Alentejano de Alvito, Grupo de Cantares Alentejanos da G.N.R., Grupo Coral de Baleizão e Grupo Coral Raízes do Cante da Cuba. Os poemas foram musicados por a Ana Santos, Celina da Piedade, Clara Palma, Paulo Ribeiro e o Pedro Mestre.
Ao longo das três geografias, o público assistiu ao resultado de residências artísticas, do projeto Artistas nas Escolas e de processos de co-criação que envolveram o Instituto Politécnico de Beja, a Escola Secundária Diogo de Gouveia, a Escola Profissional de Alvito, a CerciBeja, a Universidade Sénior da ALSUD e a Ginástica Acrobática de Mértola, entre outros parceiros locais. Estes processos reforçaram o papel da criação artística como ferramenta de aprendizagem, participação e construção de identidade coletiva, demonstrando que a cultura pode produzir impacto muito para além do momento da apresentação pública.
A descentralização da programação e a ocupação de espaços culturais, patrimoniais e paisagísticos — do Clube UNESCO de Beja às margens do Guadiana, em Mértola, passando pelas Grutas do Rossio, em Alvito — reforçaram igualmente a ligação entre arte e território, proporcionando experiências únicas e valorizando o património material e imaterial do Baixo Alentejo. A forte adesão do público e o envolvimento ativo das comunidades confirmam a crescente relevância do festival enquanto plataforma de encontro entre artistas, habitantes e visitantes.
O balanço desta edição evidencia também a consolidação de uma rede de parcerias com municípios, escolas, instituições culturais e organizações sociais, permitindo desenvolver projetos de continuidade que deixam capacidade instalada no território. Mais do que apresentar obras, o Futurama promove processos de criação, experimentação e capacitação que fortalecem o tecido cultural local e estimulam novas formas de participação cívica através da arte.
O futuro do Festival passa por aprofundar este modelo de intervenção, alargando a rede de artistas e parceiros e consolidando o Baixo Alentejo como um território de referência para a criação contemporânea. A 5.ª edição demonstra que é possível desenvolver uma programação artística de excelência a partir de contextos de baixa densidade, contribuindo simultaneamente para a valorização do património, para a coesão territorial e para a afirmação da cultura como motor de desenvolvimento social, educativo e económico.
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