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"As Ceifeiras de Pias" celebram amanhã 17 anos dedicados ao Cante

"As Ceifeiras de Pias" celebram amanhã 17 anos dedicados ao Cante

Foto: ©José Manuel Costa

O Grupo Coral Feminino "As Ceifeiras de Pias" celebra amanhã, dia 8 de agosto, os 17 anos dedicados ao Cante Alentejano e de um longo percurso feito de muitos palcos. A antiga Escola do Ribeirinho, em Pias, é o local escolhido para a efeméride, com início marcado para as 21h00, e que conta com várias outras vozes amigas, entre elas o Grupo Coral Flores do Campo (Almodôvar), Granjarte - G.F.C. Alentejanos de Granja e o Grupo Coral Alentejano da Amadora. Naturalmente, também haverá atuação d'"As Ceifeiras de Pias", mas há mais animação ao longo da noite, com o grupo de música popular Vozes D'Aurora e o baile com Sérgio Banha.

texto: Rádio Voz da Planície / Tradisom / CM Serpa 

Não há qualquer registo, nem memória, de qualquer outro grupo coral feminino em Pias. Houve uma altura em que mulheres integravam o rancho dos homens, mas com uma vertente mais etnográfica, onde mostravam os trajes da sua terra. Este grupo foi o primeiro a juntar as vozes das mulheres a cantar o Cante Alentejano de um modo organizado.

Mas, as mulheres sempre cantaram, em ranchos, nos campos enquanto trabalhavam, enquanto caminhavam de e para os locais onde trabalhavam. E, nestas situações não havia diferenças entre homens e mulheres, se calhava a trabalharem juntos, cantavam juntos.

Depois de chegarem do trabalho, havia um sem fim de tarefas domésticas para fazer, mas estas estavam destinadas apenas às mulheres. Os homens continuavam as suas cantorias nas tabernas, originando assim a organização de grupos corais, enquanto que as mulheres tinham uma vida limitada pelos muitos afazeres.

No Alentejo em geral, só nos últimos tempos se começou a sentir a organização das mulheres em grupos corais e Pias não foi exceção.

O Grupo Coral Feminino "As Ceifeiras de Pias", apresentou-se em público pela primeira vez no dia 2 de agosto de 2009. Este grupo de mulheres tem na sua génese, como objeto social, "a divulgação do cante tradicional alentejano, dos seus trajes e costumes” e esta tem sido a linha orientadora do trabalho deste grupo durante todos estes anos.

Em 2016, editaram o seu primeiro CD, em formato de livro, intitulado “Cante no Feminino”, editado pela Tradisom. Além dos espetáculos de Cante, tem participado em programas de televisão, cinema e documentários. Já passaram por várias salas emblemáticas no país, das quais se destacam o Teatro da Trindade em Lisboa e o Salão Preto e Prata do Casino do Estoril.


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