Para o LIVRE, "a transição energética é uma urgência inadiável face à emergência climática", mas o que está em causa é "o modelo agora apresentado" que "impõe ao Alentejo uma inaceitável lógica extrativista". O partido sublinha que esta não é "uma transição justa" e o Governo "insiste no erro histórico" de tratar a região como "uma zona de sacrifício", cujo objetivo passa por "desfigurar o histórico "celeiro de Portugal" para o transformar numa imensa "fábrica de eletricidade" ao serviço do resto do país".
Desta forma, poderá perder-se "a oportunidade de criar uma verdadeira estratégia de desenvolvimento rural, energético e industrial, capaz de garantir que o Alentejo retém uma parte substancial da riqueza gerada, e não apenas os impactos da transição", como afirma o comunicado do LIVRE Alentejo, que reforça a mensagem referindo que "face a este plano de contornos marcadamente centralistas", o partido "assume uma posição intransigente na defesa do território".
O LIVRE apresenta vários argumentos, como por exemplo a destruição de "vastas áreas de solo agrícola e rural", situação que para o partido é "política e ecologicamente indefensável", mais ainda tendo em conta a existência de "um enorme potencial desperdiçado no edificado". Para solidificar esta posição, acrescenta que os "dados do próprio Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) indicam que Portugal pode instalar mais de 23 Gigawatts de capacidade fotovoltaica (produzindo quase 37 TWh/ano) exclusivamente em áreas já artificializadas".
O LIVRE não se quer limitar apenas "à denúncia" e, por isso, também apresenta no comunicado algumas "alternativas para uma verdadeira transição justa". Entre elas está a proposta de "aceleração do autoconsumo", ou seja por em prática o programa "um painel solar em cada telhado" em "edifícios residenciais e comerciais".
Outra das proposta passa pelas "Escolas Solares Vivas", com a intenção de fazer das escolas públicas, "espaços energéticos positivos, capazes de produzir e partilhar excedentes com os bairros".
O apoio às "CER e Economia Cooperativa", seria outra forma de "garantir apoio estrutural para que a riqueza e os excedentes energéticos fiquem nas comunidades locais".
E por último, aquilo a que o LIVRE chama de "Novo Pacto Verde", que pretende o "fim da lógica extrativista", assegurando a promoção de "investimento público" que, consequentemente, seja garantia de "empregos verdes e coesão territorial".
Como conclusão, o LIVRE Alentejo diz recusar "a subjugação" da região e afirma que lutará "por limites rigorosos à ocupação do solo rural e por garantias de que qualquer infraestrutura instalada beneficie financeira e energeticamente" quem vive no território. O partido está empenhado no "combate às alterações climáticas", que vê como "a grande missão do nosso século, mas tem de ser feito com justiça ambiental e respeito pelas populações, não pela imposição e pelo lucro fácil".
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