No campo financeiro, a diferença salarial também persiste: o diferencial de rendimento médio mensal líquido situa-se nos 17,3%, traduzindo-se numa disparidade de 205 euros entre a média masculina (1.388€) e a feminina (1.183€).
Paralelamente, verifica-se que a assimetria na gestão do tempo de trabalho recai sobretudo sobre as mulheres. Estas representam 62,9% dos trabalhadores em part-time, sendo a proporção de mulheres a tempo parcial que têm crianças no agregado familiar de 8,5%, valor que contrasta com os residuais 3,2% registados no lado masculino.
“Estes dados comprovam que ainda existe um longo caminho a percorrer. Apesar de se ter feito um caminho próspero no Índice Global de Igualdade de Género e de termos uma fatia tão grande de talento altamente qualificado, a falha na progressão para lugares de topo, aliada à disparidade salarial e ao impacto dos cuidados familiares, deixa-nos o alerta de que a paridade real no mercado de trabalho ainda não se alcançou e que as empresas devem continuar a fazer um esforço por este caminho.”, destaca Isabel Roseiro, diretora de marketing da Randstad Portugal.
Conclusões do estudo::
● Portugal é o 3.º país europeu com maior percentagem de mulheres no emprego qualificado, mas apenas 15,7% chega a cargos de direção
● O diferencial de rendimento médio mensal líquido situa-se nos 17,3%, com o fosso salarial a atingir os 29,6% em áreas como a saúde;
● Fosso salarial atinge o valor de 48,5% no setor do Desporto e Espetáculos em Portugal
● O talento feminino concentra-se em setores de "cuidados" e serviços, dominando a saúde (16,5%) e a educação (12,9%), enquanto os homens se concentram na indústria e construção
● A proporção de mulheres a tempo parcial com crianças a cargo (8,5%) é mais do dobro da registada entre os homens (3,2%).
A disparidade de género no mercado de trabalho português:
● O Gender Pay Gap atinge o valor mais elevado desde 2011 no setor da saúde e apoio social, chegando aos 29,6%.
● Em contraste, setores dominados por homens, como a construção, apresentam um gap negativo (-14,7%), indicando que as poucas mulheres presentes ocupam cargos técnicos ou de gestão mais bem remunerados do que a base operacional masculina.
● No regime de trabalho a tempo parcial, as principais razões apontadas pelas mulheres são os "cuidados a adultos com deficiência ou crianças", enquanto para os homens pesa mais a justificação de “educação ou formação”.
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