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Opinião

"Portanto…"

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"Portanto…"

Foto: Rádio Voz da Planície

"Portanto, já estão instaladas no parlamento do País a direita e a política de direita", frisa Carlos Lopes Pereira, jornalista, na crónica de opinião que pode ler e ouvir aqui.

"(Aqui, abro um parêntesis. O escritor angolano Pepetela começa o seu belo romance A Geração da Utopia com um portanto. E conta esta estória por ele vivida: «Na prova oral de aptidão à Faculdade de Letras, em Lisboa, o examinador fez uma pergunta ao futuro escritor.

Este respondeu hesitantemente, iniciando com um portanto. De onde é o senhor?, perguntou o professor, ao que o escritor respondeu de Angola. Logo vi que não sabia falar português; então desconhece que a palavra portanto só se utiliza como conclusão dum raciocínio? Assim mesmo, para pôr o examinando à vontade. Daí a raiva do autor que jurou que um dia havia de escrever um livro iniciando por essa palavra.»

Pepetela cumpriu a promessa, e confessou o seu «saudável rancor de 30 anos»…)

Fechado este parêntesis, insisto: com a nova legislatura, que muitos prevêem que seja curta, continuam incrustadas na governação do País a direita e a política de direita.

Esta é a consequência directa do que parece ser uma obsessão do Presidente da República – dissolver parlamentos, seja a Assembleia da República, seja a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, acarretando com isso as respectivas eleições antecipadas.

O espectáculo da «difícil» eleição de um presidente da Assembleia da República, ao longo de dois dias, foi uma amostra do que aí vem. E não falo nem dos acordos e desacordos, reais ou simulados, nem das mais do que prováveis arruaças parlamentares quotidianas. Refiro-me, sobretudo, à continuação das políticas de direita, que serão protagonizadas pelo governo minoritário do PSD e CDS, sempre que necessário com o apoio encapotado ou às claras do PS.

Portanto, os problemas dos trabalhadores e de outros sectores sociais – da carestia de vida, dos baixos salários e reformas, do desemprego, da precariedade, do difícil acesso ao Serviço Nacional de Saúde, da falta de habitação (sobretudo para os jovens), da degradação de serviços públicos, do abandono do interior do País, da desvalorização das carreiras de professores, médicos, forças de segurança, funcionários da justiça – [estes problemas] não serão resolvidos e até vão agravar-se, ao mesmo tempo que os grandes grupos económicos continuarão a ter lucros fabulosos. Por exemplo, cinco principais bancos portugueses anunciaram que obtiveram em 2023 lucros totais superiores a 4,2 mil milhões de euros.

Portanto, não se trata só de lutar contra a direita (PSD, CDS, etc.) e as suas políticas a castigar quem trabalha e quem menos tem e a beneficiar os ricos e poderosos.

Importa também denunciar e combater as convergências entre PSD e PS, em nome da nova «estabilidade política» ou do «interesse nacional prioritário», que, de facto, garantem a continuidade da velha política de direita."

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