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Portugal falhou o prazo legal relativo a regras comunitárias para promover a reparação de bens

Portugal falhou o prazo legal relativo a regras comunitárias para promover a reparação de bens

Foto: ContasPoupança/DR

Portugal continua sem concluir a transposição da Diretiva da União Europeia (UE) 2024/1799 do Parlamento Europeu e do Conselho de 13 de junho de 2024 relativa a regras comunitárias para promover a reparação de bens. O prazo legal para atingir as metas delineadas pela UE, terminou na sexta-feira, dia 31 de julho. De acordo com dados de 2024, anualmente são produzidas cerca de 165 mil toneladas de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos, num país onde as taxas de reciclagem/reutilização se encontram abaixo das metas europeias. É o caso das lâmpadas, onde existiu uma taxa de reciclagem/reutilização em 2025 de 40% abaixo da meta estabelecida de 80% e onde os equipamentos de grandes dimensões têm uma taxa de quase 50% quando "já seria desejável estar nos 80% (de acordo com o Relatório do Estado do Ambiente 2025)". A Quercus considera que este atraso representa a falta de priorização de uma economia verdadeiramente circular, estando em incumprimento com o próprio Plano de Ação para a Economia Circular (PAEC) aprovado este ano.

A Diretiva (UE) 2024/1799 constitui uma das principais iniciativas da União Europeia para promover uma economia circular, incentivando a reparação de produtos em vez da sua substituição prematura. Findo o prazo para a sua transposição, "a ausência de medidas concretas por parte do Governo levanta sérias preocupações quanto ao cumprimento das obrigações europeias e ao compromisso de Portugal com a transição para modelos de produção e consumo mais sustentáveis", refere a Quercus.

E o que está em causa com este novo atraso? Enquanto a lei não entrar em vigor, os consumidores portugueses continuam sem o quadro legal que lhes garante o direito a reparar equipamentos como eletrodomésticos, telemóveis e tablets a preços razoáveis, com peças sobressalentes disponíveis e sem cláusulas contratuais que dificultem o recurso a reparadores independentes. Segundo dados da DECO Proteste (publicados a 31 março 2026), os consumidores portugueses gastam em média 1 200 euros por ano a substituir equipamentos que poderiam ter sido reparados por uma fração desse valor, um encargo que a nova legislação visa atenuar.

Segundo a análise da Quercus, "cada mês de atraso traduz-se em mais equipamentos descartados que poderiam ter sido reparados", o que significa "mais recursos naturais críticos desperdiçados", onde se incluem "metais raros e outras matérias-primas que Portugal, como país fortemente importador, não pode dar-se ao luxo de continuar a desperdiçar".

Tendo em conta este "cenário", a Quercus apresenta algumas soluções ao Governo, com as quais sugere, por exemplo, a apresentação urgente de "uma proposta de transposição da diretiva, minimizando o vazio legal", visto o prazo já ter terminado.

A aposta na criação do "ponto de contacto nacional e a plataforma nacional de reparação previstos na diretiva", que se for "interligada com a futura plataforma europeia em linha", vai permitir aos consumidores a possibilidade de "encontrar facilmente reparadores certificados na sua área".

"Assegurar a fiscalização efetiva da proibição de cláusulas contratuais e de técnicas de hardware ou software que impeçam a reparação", é outra das propostas da Quercus. Esta seria uma forma de garantir "a utilização de peças em segunda mão" pelos "reparadores independentes", que sejam "compatíveis ou produzidas por impressão 3D, tal como a diretiva exige".

Obrigar os reparadores a disponibilizar, de forma gratuita e em suporte duradouro, o Formulário Europeu de Informações sobre as Reparações, com prazos, preços e condições claros antes da celebração de qualquer contrato de reparação.

Criar um sistema de incentivos à reparação, como cupões ou apoios financeiros diretos ao consumidor, à semelhança de exemplos já implementados noutros países europeus, como Áustria e França.

Reforçar a capacidade de fiscalização da Direção-Geral do Consumidor para garantir o cumprimento efetivo das novas regras junto de fabricantes e distribuidores.

Envolver ativamente as organizações da sociedade civil, associações de consumidores e o setor da reparação independente no processo de regulamentação.

Adotar uma estratégia transversal para pôr fim ao padrão recorrente de atrasos na transposição de diretivas ambientais, que já expõe o país a múltiplos processos de infração e sanções financeiras.


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