De acordo com o comunicado da Federação Regional do PS, a questão tem vindo a ser colocada ao Governo há vários meses. Pedro do Carmo, deputado socialista, "questionou o Governo em vários momentos e manifestou publicamente a sua preocupação", ao qual se juntaram as vozes de José Luís Carneiro, Secretário-Geral do partido, e dos presidentes de câmara, "individualmente e em conjunto". Mas, a Federação sublinha que, até ao momento, "os vários ministros responsáveis nunca apresentaram uma resposta concreta".
O PS reforça a sua resposta, referindo que ainda não está esclarecido "qual o instrumento financeiro, qual a dotação disponível, qual o calendário de transição e que garantias serão dadas aos municípios", acrescentando que "as empreitadas não se pagam com intenções, nem os municípios podem assumir compromissos financeiros com base em promessas sem datas e sem cabimentação".
Para o PS, não foram os municípios que criaram o problema, argumentando que estes "assumiram projetos, concursos e gestão das empreitadas no quadro de acordos com entidades do Ministério da Saúde e com base em compromissos de financiamento assumidos pelo Estado".
"Quando o financiamento é colocado em causa, os autarcas têm o dever de exigir respostas e de defender as suas populações", lê-se também no comunicado da Federação do Baixo Alentejo do Partido Socialista.
Em uníssono com os autarcas do Baixo Alentejo, está a Associação Nacional de Municípios Portugueses, que também já fez exigências ao Governo. Por um lado, "a rápida concretização de mecanismos de transição para garantir a continuidade das obras do PRR". Por outro, a defesa de uma solução que não represente "uma maior responsabilização financeira dos municípios".
Em suma, para o PS, não se trata de "uma preocupação partidária", mas sim de "uma preocupação nacional dos municípios portugueses".
Outro dos argumentos do PS prende-se com as obras nos SUB, os Serviços de Urgência Básica de Castro Verde e Moura, "infraestruturas de natureza supramunicipal que servem populações de vários concelhos". O PS diz que é inaceitável que sejam as autarquias, individualmente, a suportar através dos seus orçamentos, "os custos de um serviço integrado na rede pública de saúde e que serve vários municípios".
As extensões de saúde de Garvão e de Vila Nova de São Bento, são também mencionadas no comunicado da Federação do PS, que refere que "não pode ser desvalorizada a importância" destes equipamentos, "apenas porque representam investimentos de menor dimensão financeira", ressalvando que "para as populações, estes serviços são essenciais". Para o PS, "o valor de uma obra não determina a sua importância para as pessoas".
Antes da conclusão, a Federação Regional do Baixo Alentejo do Partido Socialista faz algumas exigências ao Governo, pedindo "a apresentação imediata de um calendário concreto, a identificação da fonte de financiamento, a garantia escrita da respetiva cabimentação e o compromisso de que os custos destas infraestruturas não serão transferidos para os orçamentos municipais".
E termina a sua resposta com a mensagem de que à Federação não lhe "interessa alimentar confrontos pessoais. Interessa resolver os problemas do Baixo Alentejo". Acrescentando um apelo "ao deputado do PSD eleito pelo círculo de Beja para que utilize o seu mandato para ajudar a obter as respostas que os autarcas e as populações aguardam há meses, em vez de atacar quem está no terreno a procurar garantir a conclusão destas obras".
O PS fecha o comunicado com uma espécie de recado para Gonçalo Valente, dizendo que "foi eleito para defender o distrito de Beja, não para repreender os seus autarcas".
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