texto: Inês da Silva / foto: DR
Para mim, ter nascido e crescido num país da União Europeia é sentir-me livre e, simultaneamente, protegida. Acredito que muitas pessoas tenham esta mesma sensação sem a conseguir associar diretamente à UE, mas a verdade é que são indissociáveis, principalmente quando falamos de jovens.
Aqui no Alentejo, experienciamos as particularidades de viver numa região do interior, como o envelhecimento acentuado, e também a população reduzida e dispersa, o que, de certa forma, pode ser entendido como um desafio ou uma vantagem. A vantagem é que, à partida, se temos poucas pessoas, pode ser mais fácil chegar até elas, embora as minhas experiências mais recentes me tenham vindo a mostrar que não é bem assim.
Por mais que se possa pensar o contrário, a UE está presente nas mais pequenas coisas da nossa vida: na valorização da nossa cultura, na facilidade que temos em viajar, na modernização do setor agrícola que é tão importante para a região… E claro, para nós, jovens, há um sem número de caminhos que só podemos escolher graças às instituições europeias, a começar pelo Programa Erasmus+ e pela possibilidade de exercer profissionalmente num outro Estado-Membro com o devido reconhecimento.
Enquanto estudante de Psicologia Clínica, tendo criado projetos focados no público jovem, em particular, na inclusão de pessoas com deficiência, e tendo eu própria uma deficiência, aos 23 anos, posso dizer que já vivi experiências inesquecíveis graças à UE, experiências essas que mudaram o modo como vejo a minha futura profissão, e que sempre respeitaram as minhas necessidades específicas. E para mim, a melhor parte é mesmo poder proporcionar a outros jovens experiências semelhantes, cativando-os a ser mais participativos pelas causas que defendem. Precisamos de jovens com “pêlo na venta”, como se diz em bom alentejano. E precisamos deles, e delas, aqui. A fazer pequenas mudanças locais.
Não pretendo romantizar ou desvalorizar as dificuldades que enfrentamos, mas a verdade é que apenas juntos podemos mudar aquilo que acreditamos que não está certo. E é disso que a União Europeia nos relembra diariamente, em tudo aquilo que nos protege: da importância de estarmos unidos, juntos, nas nossas semelhanças e, sobretudo, nas nossas diferenças.
A mudança que, inicialmente, parece insignificante de tão pequena, pode ser a mais transformadora para quem se cruza connosco.
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