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Beja tem apenas 2% de coberto arboreo e tem de atingir no mínimo os 10%

Beja tem apenas 2% de coberto arboreo e tem de atingir no mínimo os 10%

Foto: Rádio Voz da Planície

Beja já é um dos seis municípios que passou a integrar o grupo dos projetos piloto de "adaptação às alterações climáticas", que visam promover "o restauro ecológico dos espaços urbanos e a criação de uma rede de abrigos climáticos". A assinatura do protocolo entre o Município de Beja e o Ministério do Ambiente e Energia, aconteceu na quarta-feira, e durante a sessão, foi divulgado que "o coberto arbóreo urbano de Beja é atualmente de apenas 2%, valor cinco vezes inferior ao limiar de 10% estabelecido pelo Regulamento Europeu do Restauro da Natureza". Este é o "principal indicador técnico que fundamenta a implementação do projeto, tendo em conta a elevada exposição da cidade ao calor extremo e às ondas de calor cada vez mais frequentes". Na foto, a Rua Conselheiro Meneses, que chegou a ser conhecida como Rua da Árvore, é um dos muitos exemplos da falta significativa de sombra em muitas ruas da cidade, tornando-se um percurso extremamente difícil de fazer, especialmente para os mais idosos, durante as muitas horas em que o calor é de tal forma intenso que chega a ser sufocante.

A Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, esteve em Beja para a assinatura do compromisso que formalizou a criação de um Refúgio Climático na cidade, no âmbito do PRO NAT.URBE – Programa de Ação para a Resiliência e Restauro da Natureza em Áreas Urbanas.

Na sua intervenção, a ministra recordou que, "durante uma visita anterior ao Jardim Público, verificou que aquele espaço não apresentava as condições desejáveis para proporcionar zonas de conforto térmico durante os períodos de maior calor". Neste contexto, decidiu lançar ao Município de Beja "o desafio para integrar este programa nacional, reconhecendo o potencial da cidade para desenvolver um projeto-piloto de referência".

Segundo a informação disponibilizada pela autarquia bejense, esta intervenção "será desenvolvida até 2028 e assenta numa estratégia integrada de adaptação climática, contemplando a requalificação de várias áreas do Jardim Público, a criação de novos espaços de sombra, a recuperação dos lagos e espelhos de água, a instalação de pavimentos drenantes e o restauro de elementos patrimoniais daquele espaço emblemático da cidade".

Incluído no projeto, está também "o reforço da infraestrutura verde urbana através da plantação de cerca de 270 novas árvores em ruas, praças e jardins", bem como "da reposição de caldeiras vazias e da criação de novas estruturas de sombra", como forma de contribuir para a redução do "efeito de ilha de calor e melhorar o conforto térmico no espaço público".

"Outra das intervenções estruturantes consiste na renaturalização do Barranco do Poço dos Frangos até ao Pelame, criando um corredor verde com cerca de 2,5 quilómetros e aproximadamente 12 hectares de espaço público natural, valorizando simultaneamente a biodiversidade, a linha de água e o património existente", refere também a nota do município.

A criação desta rede de abrigos climáticos, que integra "espaços verdes qualificados, edifícios públicos climatizados e percursos pedonais sombreados", serve, sobretudo, a população mais vulnerável, com especial atenção aos mais idosos, e será ativada em períodos de calor extremo.

O presidente da Câmara Municipal de Beja, Nuno Palma Ferro, destacou que "este é um investimento estruturante para o futuro da cidade, permitindo aumentar a resiliência às alterações climáticas, melhorar a qualidade dos espaços públicos e promover uma cidade mais verde, saudável e sustentável".

Quanto ao investimento, o projeto representa para o município um encargo "superior a dois milhões de euros, contando com um apoio de 500 mil euros do Fundo Ambiental", encontrando-se em linha com o Regulamento Europeu do Restauro da Natureza, o Plano Nacional de Restauro da Natureza, o PRO NAT.URBE e o Plano Municipal de Ação Climática de Beja.

A autarquia acrescenta que este é "um passo decisivo" para que Beja se possa aproximar "do padrão internacional 3-30-300, referência mundial para cidades mais verdes, saudáveis e resilientes, afirmando-se como um projeto-piloto de referência para o interior do país".


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