Segundo a informação partilhada pelo movimento, "apesar da Constituição da República Portuguesa consagrar, no artigo 13º, o Princípio da Igualdade e, no artigo 71º, o direito das pessoas com deficiência a proteção especial do Estado e acesso a políticas públicas que promovam a inclusão, e de Portugal ser signatário da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, a realidade está muito longe destes compromissos".
Outras questões relativas a estas pessoas, vão ser discutidas nesta manifestação, nomeadamente a acessibilidade que "deveria ser um direito e não um privilégio, mas as pessoas com deficiência física são constantemente confrontadas com barreiras arquitetónicas em edifícios públicos, escolas, transportes, serviços de saúde, habitação e espaços comunitários".
O movimento refere também que "as pessoas com deficiência intelectual continuam a enfrentar discriminação, institucionalização e falta de oportunidades, dadas as dificuldades de acesso a uma educação ajustada, à capacitação para a autonomia e ao emprego apoiado".
Outro dos motivos que leva o movimento cívico a fazer esta manifestação, são as "muitas pessoas autistas e suas famílias" que "vivem sem apoio suficiente na escola, sem respostas de transição para a vida adulta e sem políticas estruturadas para o envelhecimento".
Também a profunda desigualdade no acesso ao emprego "faz com que, sem apoios sociais, mais de 60% das pessoas com deficiência maiores de 16 anos enfrentem risco de pobreza. Esse valor é ainda mais elevado entre as mulheres com deficiência".
E, mais uma vez, também neste grupo de pessoas as mulheres são as mais penalizadas, sendo que "oito em cada 10 mulheres com deficiência já enfrentaram formas específicas de violência baseada no género".
Somam-se também outros fatores, como o facto de as pessoas com deficiência que vivem no interior do país, sentem ainda mais o peso das desigualdades. O movimento sublinha que aí "agravam-se dramaticamente, sendo que no Alentejo, e particularmente no distrito de Beja, viver com deficiência significa frequentemente enfrentar isolamento, escassez de serviços, ausência de especialistas, falta de transportes, inexistência de respostas de vida independente e enormes dificuldades no apoio às famílias".
"No dia 9 de maio, o Movimento Cívico Pelos Direitos das Pessoas com Deficiência sai à rua porque recusa a invisibilidade", conclui a nota da organização, como forma de apelo a todos os que queiram participar nesta manifestação.