Segundo a Herdade da Figueirinha, “o vinho de talha é feito de uma forma singular, numa tradição transmitida de geração em geração, onde a fermentação ocorre naturalmente em talhas de barro, preservando a autenticidade do processo e a identidade do terroir alentejano”. Este método ancestral constitui um testemunho vivo da continuidade cultural entre o passado e o presente.
Na época romana, o vinho assumia-se como elemento central das festividades, sendo verdadeiro protagonista quando os romanos brindavam celebrando conquistas, laços de amizade e manifestações religiosas, como as bacanálias, onde se evocavam a fertilidade, a alegria e a vida, ou ainda no contexto dos espetáculos, marcados pela intensidade e simbolismo dos combates de gladiadores.
Para além da sua dimensão festiva, o consumo de vinho estava também associado a um elevado estatuto cultural, evidenciado pelos testemunhos epigráficos identificados na cidade e na sua área envolvente, nomeadamente os carmina epigraphica e a representação de cuppae (barris de vinho) em monumentos funerários.
No ano em que se celebra a capitalidade do vinho no Alentejo, o Município de Beja sublinha a importância de regressar às origens desta produção, evocando o momento em que Pax Iulia foi elevada a Colonia Civium Romanorum, o mais elevado estatuto urbano romano, e o papel determinante que o vinho desempenhou no desenvolvimento económico, social e cultural da cidade.
A Herdade da Figueirinha destaca ainda que “o vinho de talha simboliza uma ponte entre o passado e o presente e é, para nós, um elemento da nossa identidade”, reforçando o alinhamento desta parceria com os objetivos do evento.
Com esta iniciativa, o Município de Beja reafirma o seu compromisso com a promoção do património, o fortalecimento da identidade local e a valorização dos produtores do território, contribuindo para afirmar Beja e o Alentejo como referências de património vivo.
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