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"Os incêndios florestais não conhecem fronteiras, a resposta europeia também não", por Luís Loureiro de Amorim

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"Os incêndios florestais não conhecem fronteiras, a resposta europeia também não", por Luís Loureiro de Amorim

Foto: DR

Luís Loureiro de Amorim, Chefe de Missão Adjunto da Representação da Comissão Europeia em Portugal, escreve este artigo de opinião, numa altura em que se fala muito de água, mas pouco de incêndios. De acordo com o autor do texto, o ano passado "o continente europeu passou pela sua pior temporada de incêndios florestais, com mais de um milhão de hectares queimados". Entre os vários fatores para estas ameaças iminentes, a "intensificação dos fenómenos ligados às alterações climáticas", têm um peso substancial nestas catástrofes. "Restaurar a natureza é, por conseguinte, fundamental, uma vez que os ecossistemas saudáveis são mais resilientes aos incêndios florestais", escreve Luís Loureiro de Amorim.

texto: Luís Loureiro de Amorim / foto: DR

Os incêndios florestais estão a tornar-se maiores, mais frequentes e mais destrutivos. Para preparar melhor a Europa para esta ameaça crescente, a Comissão Europeia adotou na última semana de março, uma nova estratégia que abrange a prevenção, a preparação, a resposta e a recuperação.

Em 2025, o continente europeu passou pela sua pior temporada de incêndios florestais, com mais de um milhão de hectares queimados. Tal deve-se, entre outros, à intensificação dos fenómenos ligados às alterações climáticas. Restaurar a natureza é, por conseguinte, fundamental, uma vez que os ecossistemas saudáveis são mais resilientes aos incêndios florestais.

Nas palavras da Comissária Europeia Jessica Roswall, responsável pelo meio ambiente, a resiliência hídrica e a economia circular competitiva: «A nossa resiliência económica está diretamente ligada à saúde dos nossos ecossistemas e vice-versa. Investindo na prevenção, na restauração da natureza e na criação de paisagens resistentes aos incêndios, podemos evitar prejuízos económicos no valor de milhares de milhões de euros.»

É por esta razão que a Comissão Europeia coloca uma forte ênfase na prevenção. Propõe assim reforçar o seu apoio a medidas de cariz ‘ecossistémico’ na prevenção de incêndios florestais. O objetivo é construir paisagens resistentes aos incêndios e atenuar o risco e o impacto dos incêndios florestais através da proteção e da restauração da natureza.

De que maneira se pretende alcançar este objetivo? Por um lado, a Comissão Europeia adotou um documento de orientação sobre a rede Natura 2000 e as alterações climáticas, que presta aconselhamento aos Estados-Membros para uma abordagem estruturada da adaptação às alterações climáticas nos sítios Natura 2000. As orientações também mostram como promover um planeamento paisagístico resiliente e contêm medidas para reduzir o risco de incêndios florestais, em harmonia com os objetivos de conservação dos habitats naturais.

Depois da prevenção vem a preparação.
A Comissão Europeia pretende igualmente sensibilizar os europeus para este fenómeno e envolvê-los no esforço de preparação para lidar com os incêndios florestais. Entre as medidas propostas conta-se a organização de um painel de cidadãos europeus dedicado a dialogar sobre este tema.

Trata-se de uma questão pan-europeia, como afirmou a Comissária Hadja Lahbib: «Os incêndios florestais não conhecem fronteiras e a nossa resposta também tem de ir além fronteiras. As medidas hoje adotadas demonstram o empenho inabalável da União Europeia em manter-se unida face às crises provocadas pelas alterações climáticas.»

Concretamente, a Comissão Europeia continuará a pré-posicionar bombeiros em zonas de risco e a promover o intercâmbio de peritos europeus em combate a incêndios. O intercâmbio de experiências e uma maior cooperação serão também promovidos com regiões propensas a incêndios florestais em todo o mundo. Os Estados-Membros e as partes interessadas serão informados das oportunidades de financiamento específicas. A Comissão Europeia continuará a desenvolver o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, apoiado pelo satélite Copernicus.

Além disso, a frota de combate a incêndios do RescEU será alargada com a aquisição de 12 aviões de combate a incêndios, bem como de cinco helicópteros. O primeiro helicóptero da frota RescEU, entregue à Roménia em janeiro deste ano, estará pronto para a época de incêndios florestais de 2026.

A Comissão Europeia está também a trabalhar na criação de uma plataforma europeia de combate a incêndios em Chipre, que funcionará como um centro regional de formação, exercícios e preparação sazonal. Terá um duplo papel: operacional, de resposta a emergências provocadas por incêndios florestais e de reforço das capacidades.

A vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Roxana Mînzatu, resumiu a nova estratégia em poucas palavras: «A estratégia agora adotada mostra que a prevenção, a preparação e a solidariedade devem andar de mãos dadas se quisermos salvar vidas e reforçar a resiliência da Europa contra o agravamento das ameaças de incêndios florestais.»

A Comissão Europeia apresentará ainda uma proposta para uma Recomendação do Conselho da União Europeia sobre a gestão integrada dos riscos de incêndios florestais, a fim de consolidar todos estes esforços coletivos.

Para mais informação, a Comissão Europeia recomenda a leitura das seguintes referências online:

Comunicação sobre a gestão integrada dos riscos de incêndios florestais

Q&A: Gestão integrada do risco de incêndios florestais

Ficha informativa – Gestão integrada dos riscos de incêndios florestais

Incêndios florestais na Europa

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