A Prescrição Cultural enquanto prática emergente que cruza arte, cultura e saúde, colocando o bem-estar individual e coletivo no centro da ação, é uma das propostas para dia 24. A partir de diferentes experiências no território do Alentejo e em contextos artísticos e clínicos diversos, o debate reúne profissionais da saúde mental, da cultura e da mediação artística para discutir o impacto da participação cultural na promoção da saúde, na prevenção da doença e no combate ao isolamento social.
Com a participação de Paulo Barbosa (Psiquiatra, ULS Baixo Alentejo), Miguel Magalhães (Prescrição Cultural em Beja), Ana Isa Coelho (CIMAC), Patrícia Claudino (Psicóloga, Prescrição Cultural Alentejo Central) e Cláudia Lopes (Diretora Artística, Manicómio), e mediação de Ana Matos Pires (Coordenadora Regional da Saúde Mental da Administração Regional de Saúde do Alentejo), o encontro está marcado para o Teatro Municipal Pax Julia, em Beja, entre as 10H30 às 12H00.
Meia-hora depois, e no mesmo espaço, sobe ao palco a peça de teatro "A Floresta", realizada pelos utentes da Prescrição Cultural em Beja, com a orientação artística da Companhia do Sueste. "Numa quinta antiga onde os bosques avançam até ao mar, a fronteira entre a realidade e a fantasia é sempre muito ténue. Isabel, uma menina de brincar que sabe conversar com as árvores e as flores, constrói uma pequena casa na esperança de atrair seres mágicos. Mas a floresta é cheio de surpresas e tesouros. Mistérios maiores do que poderia imaginar. E agora, Isabel está prestes a conhecer o maior de todos eles!", é a base da história da peça "A Floresta".
Já durante a tarde, também no Pax Julia e a partir das 15h, acontece o workshop "O cuidar como ato criativo: arte e saúde mental", orientado por Miguel Magalhães, da Companhia do Sueste. "Neste workshop, Miguel Magalhães parte da premissa de que o acesso à fruição artística é determinante para a qualidade de vida, para neste encontro convidar atores, profissionais do setor social e o público geral a experimentarem o processo de criação coletiva. Este encontro propõe o teatro como um terreno de criação partilhada. Através de exercícios práticos e teórico-práticos, vamos explorar como pensar o "fazer com, em vez de fazer para", desconstruir hierarquias e transformar um grupo heterogéneo num coletivo artístico. Nestes projetos participativos, a promoção da saúde e do bem-estar não são o objetivo final, mas a consequência natural da participação, de ter voz e de pertencer a um processo criativo exigente e estimulante."
Entretanto, o Espaço Futurama, no Largo da Conceição, nº 5, em Beja, estará patente a exposição "vi uma cobra a voar", de Maja Escher. Pode ser visitada às segundas, quartas e sextas-feiras, das 10h às 18h, até ao dia 14 de março de 2026 e a entrada é gratuita.
A prática artística de Maja Escher tem uma dimensão coletiva e híbrida na qual desenhos, objetos encontrados, práticas colaborativas e métodos de trabalho de campo fazem parte do processo para desenvolver instalações site-specific e projetos de investigação. Estabelecer uma relação com os lugares e as pessoas é essencial para o seu processo de trabalho: frequentemente os seus projetos surgem de um momento de partilha, uma conversa, uma música ou um objeto encontrado ou oferecido. Barro, canas, cordas, pedras, legumes e outros elementos encontrados ou oferecidos durante as suas pesquisas de campo são frequentemente combinados com adivinhas, ditados populares e canções, criando uma tensão entre sabedoria popular e científica, magia e tecnologia. Para a criação desta exposição, Maja Escher partiu do imaginário surrealista da poesia popular, a exposição invoca uma relação ancestral entre corpo, terra e palavra.
De salientar que, de entre os vários projetos desenvolvidos pelo Futurama, o Grupo de Cante Futurama foi distinguido com o Apoio a Projetos de Mérito Cultural do Fundo de Fomento Cultural. De acordo com o júri, este projeto "apresenta elevada qualidade artística e relevância cultural inequívoca, destacando-se pelo seu desenho conceptual rigoroso e inovador, pela clareza da direção e curadoria, pelas referências sólidas e pelo contributo distintivo para o ecossistema cultural".
O júri sublinha ainda o enfoque do Grupo de Cante Futurama na valorização e dinamização do Cante Alentejano, numa perspetiva multidisciplinar e experimental que conjuga tradição e contemporaneidade, promovendo a participação comunitária, em particular dos jovens. Este apoio representa um reconhecimento significativo do trabalho que o Futurama tem vindo a desenvolver no cruzamento entre práticas artísticas contemporâneas e património imaterial, através do Cantexto, reforçando o seu compromisso com o Cante Alentejano enquanto prática viva, coletiva e em permanente diálogo com o presente.
© 2026 Rádio Voz da Planície - 104.5FM - Beja | Todos os direitos reservados. | by pauloamc.com