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Abusos na igreja: psicóloga clínica diz que vítimas podem sentir-se novamente silenciadas

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Abusos na igreja: psicóloga clínica diz que vítimas podem sentir-se novamente silenciadas

Nos últimos dias, muito se tem falado sobre os casos de abusos a crianças no seio da igreja. Dentro da própria estrutura eclesiástica, várias foram as posições assumidas, com dioceses a afastarem alegados suspeitos e com outras sem tomarem posição.

Depois de todas as notícias e das polémicas declarações de D. João Marcos, bispo de Beja, a Voz da Planície quis saber, do ponto de vistas das vítimas, como é que, depois de, terem tido a coragem de assumir o que lhe aconteceu, como veem todo este processo contraditório no seio da Igreja.

Vânia Beliz, psicóloga clínica, com experiência em casos de abusos sexuais, em entrevista à Voz da Planície, explica o ponto de vista das vítimas:

Estas pessoas que denunciaram, tiveram que reviver tudo o que lhe aconteceu, e “ficaram na expectativa” de que todo este processo teria um fim, usando também a sua voz para que este tipo de crimes pudesse deixar de acontecer. Neste momento, e depois de assistirem a todas estas reações, ”acredito que sintam uma enorme tristeza e frustração. É como se voltassem a não acreditar nelas. É muito frequente, em situação de abuso, o desacreditar-se na criança”.

Segundo Vânia Beliz, “a partir do momento em que és ouvido no âmbito de uma investigação de uma comissão que foi criada, e que dás a tua voz e sais do silêncio passado tanto tempo (...) e depois de o fazeres com a expectativa de parares os abusos, e depois assistes a estas notícias, acredito que a frustração seja gigantesca e preocupa-me bastante as consequências que este momento tão difícil possa trazer para estas pessoas”.

No que toca a consequências, Vânia Beliz refere que “não sabemos qual é a situação emocional destas pessoas”, pelo que ansiedade, depressão e até pensamentos suicidas podem ser diagnosticados.

Também as que não falaram, no fundo vão acreditar que “não valia a penar ter dito nada porque seria este o final da história”, salienta a psicóloga.

Vânia Beliz ainda tem esperança que a posição da igreja se altere, “e estamos a ver algumas dioceses a tomar a iniciativa de afastar estas pessoas, pelo que se espera que outras lhe sigam o exemplo”.


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