“O setor agrícola necessita de previsibilidade para semear, produzir e alimentar os animais. Não pode tomar decisões de campanha sem saber qual será o custo de uma das suas principais fontes de energia”, pode ler-se no comunicado.
A APROSERPA vinca também que escolheu o “diálogo institucional” para reivindicar soluções para o setor, mas “não significa silêncio no terreno”.
“A APROSERPA escolheu primeiro o caminho institucional, preparou números, reuniu documentação, apresentou propostas e colocou as suas questões diretamente perante a administração. Foi ouvida, agora espera respostas”, referem.
Mas, recordam, “enquanto essas respostas não chegam”, os agricultores “continuam todos os dias” a abastecer tratores, a alimentar animais e a suportar o custo de produzir.
A reunião na CCDR do Alentejo, que abordou estes e outros assuntos, serviu ainda para a associação apresentar um trabalho sobre a Rede Natura 2000 e outras áreas classificadas da margem esquerda do Guadiana, abrangendo territórios como o Vale do Guadiana, Serra de Serpa, Ficalho e Moura/Barrancos.
Entre as questões colocadas estão a “proporcionalidade das restrições impostas” e a “transparência” da respetiva avaliação económica.
Depois da reunião com a CCDR Alentejo, a APROSERPA considera que as suas preocupações “passaram do plano da denúncia para o da apresentação formal de propostas e dados técnicos”.
“Entre as respostas que pretende obter estão a demonstração dos custos de mecanização e energia utilizados pela administração, a memória de cálculo dos atuais 104 euros por hectare e a criação de um mecanismo permanente de estabilização do gasóleo agrícola”, acrescentam.
Por último, a APROSERPA quer ainda ver concretizada uma “cláusula de salvaguarda” para situações climáticas excecionais, a revisão das regras de comercialização dos cereais, a valorização oficial do autoconsumo nas explorações agropecuárias e uma avaliação da proporcionalidade das restrições da Rede Natura, acompanhada da revisão dos valores de compensação.
No decorrer do encontro, a associação apresentou dois trabalhos técnicos, sendo que um deles incidia sobre os cereais praganosos de sequeiro, os custos de produção e o impacto do preço do gasóleo agrícola e um segundo trabalho que analisava as restrições decorrentes da Rede Natura 2000 e de outras áreas classificadas existentes na margem esquerda do Guadiana, tendo os documentos sido encaminhados para o Ministério da Agricultura.
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