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Habitantes de Castro Verde sofrem com mau cheiro e "nuvens" de moscas

Habitantes de Castro Verde sofrem com mau cheiro e "nuvens" de moscas

Foto: ©Terra Fértil

"Desde 2025 que os habitantes de parte do concelho de Castro Verde sofrem com o mau cheiro e “nuvens” de moscas provenientes de terrenos agrícolas, onde são utilizadas lamas como fertilizante", revelou o Correio Alentejo (CA) na sua edição de 4 de setembro. “Há dias em que nem podemos abrir uma janela”, confessou ao jornal uma habitante da vila que, de acordo com o CA, "preferiu não ser identificada", acrescentando a mesma pessoa que são muitos os dias em que a situação acontece e que começa a ser “intolerável”. A Câmara Municipal de Castro Verde está a acompanhar e a tentar solucionar a situação, tendo já feito "uma exposição à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA), onde afirma que a deposição de lamas em terrenos agrícolas, tanto neste ano como no anterior, tem causado “impactos negativos e inaceitáveis” no município".

Segundo o CA, a autarquia referiu que alguns dos problemas são o “cheiro nauseabundo e as ‘nuvens’ de moscas” que se espalham por uma "extensa área” do território. Os impactos desta situação são "muito negativos em habitações e em unidades de alojamento turístico numa vasta área do concelho de Castro Verde”.

De acordo com a notícia, "as lamas utilizadas para fertilizar os campos são transportadas para as explorações agrícolas em veículos pesados, que utilizam a Estrada Municipal (EM) 535, com ligação à vila de Casével e à antiga estação ferroviária da mesma localidade, causando a “degradação rápida das condições” desta e de outras vias municipais".

António José Brito, presidente da autarquia castrense, revelou ao CA que se trata "de uma situação com a qual o Município de Castro Verde não pode continuar a pactuar e que não pode prosseguir”.

O autarca referiu igualmente que, "segundo informações que lhe foram prestadas pela CCDRA", já “foi realizada ação de fiscalização conjunta [da CCDRA] com o SEPNA da GNR de Almodôvar”, ao local em causa”.

A CCDRA terá sido informada sobre este caso em agosto de 2025, através da União de Freguesias de Castro Verde e Casével (UFCVC), "o que motivou ações de fiscalização, em conjunto com a GNR, em duas explorações agrícolas".

Como resposta, a CCDRA explicou à UFCVC que foi "detetada numa das explorações a utilização dos produtos compostos Biociclo Algarve e Biociclo Beja, inscritos no Registo Nacional de Matérias Fertilizantes Não Harmonizadas da Direção-Geral das Atividades Económicas".

"Segundo a Comissão, as duas matérias fertilizantes foram colocadas no mercado “após atribuição dos números de registo, existindo a possibilidade de alteração ou modificação da mesma”, acrescentou o CA.

A CCDRA sublinhou que “pode estar em causa o cumprimento dos requisitos de inscrição e colocação no mercado da matéria fertilizante em causa”, e informou ter sido “efetuada a respetiva participação” à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).


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