"Conhecer melhor as aves que passam pelo território de Aljustrel e sensibilizar para a sua proteção e para a preservação dos habitats que as acolhem é também uma forma de conhecer, valorizar e preservar o próprio Alentejo", como refere Sónia Santana Sacramento, na nota que dá a conhecer o seu projeto.
E foi com esse propósito que nasceu a "Aldeia Amiga das Andorinhas", cuja responsável "tem vindo a desenvolver um trabalho de observação da avifauna e de valorização do património natural e cultural da região".
Ervidel e o seu território envolvente, são o epicentro dos trabalhos, onde nasceu e se desenvolveu o projeto, com a raiz inicial germinada na "sensibilização para a proteção dos ninhos de andorinhas e andorinhões".
"Atualmente, acompanha também diferentes espécies de aves, entre as quais abetardas e tartaranhões, procurando registar a sua presença, os seus movimentos e a relação que estabelecem com os habitats alentejanos", diz Sónia Sacramento.
Não se trata apenas de "uma atividade de observação", pois a ideia é "contribuir para um conhecimento continuado sobre a avifauna local". E para tal, são essenciais "os registos realizados ao longo do tempo permitem acompanhar a presença de diferentes espécies, os seus períodos de passagem e os locais que utilizam para alimentação, repouso ou reprodução".
De toda esta informação recolhida, uma parte é partilhada com algumas importantes "entidades e plataformas dedicadas ao estudo e conservação das aves", com destaque para o "Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Central Nacional de Anilhagem/CEMPA, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), a European Colour-Ring Birding, o Projeto Andorin, da Associação Vita Nativa, e a plataforma internacional eBird".
Segundo a responsável pelo projeto, "é através desta partilha que uma observação feita no território pode ganhar uma dimensão mais ampla, contribuindo para um conhecimento coletivo sobre as aves e os seus movimentos".
A filosofia da "Aldeia Amiga das Andorinhas" está também ligada ao "espírito do Dia Mundial das Aves Migratórias", que este ano tem como tema "Every Bird Counts – Your Observations Matter!". Esta iniciativa internacional "chama a atenção para a importância da participação das comunidades na recolha de informação e para o contributo que cada observação pode dar ao conhecimento e à conservação das aves migratórias".
O projeto distingue-se precisamente na "ligação entre as aves, as pessoas e o território", com "recolha de testemunhos" e a ajuda das redes sociais, procurando "preservar histórias de vida, memórias, tradições e costumes do Alentejo".
Sónia fala do que sente através das "observações da natureza" e como estas se tornam, "muitas vezes, uma porta de entrada para histórias sobre as aldeias, os campos, os modos de vida e as pessoas que fizeram e fazem parte desta região". São estas memórias que "ajudam a compreender a relação das comunidades com a paisagem e com os elementos naturais que as rodeiam".
A responsável pelo projeto acrescenta que, "neste sentido, falar de andorinhas é também falar de casas, de aldeias, de campos e de pessoas. É recuperar memórias de outros tempos e contribuir para que conhecimentos e experiências transmitidos ao longo de gerações não se percam".
A "Aldeia Amiga das Andorinhas" conta com a parceria da ALMINA – Minas do Alentejo, "que apoia a iniciativa através do financiamento e disponibilização de equipamento necessário às observações e registos no terreno".
"Sem a visão da ALMINA em abraçar este projeto, que valoriza o território, ele não seria possível. Há pormenores que fazem toda a diferença: por exemplo, conseguir ler o número de uma anilha numa ave que está do outro lado da margem só é possível com objetivas de grande alcance, que são equipamentos dispendiosos. A ALMINA tem contribuído para tornar possível esse trabalho, disponibilizando câmaras e lentes de elevada qualidade", explica Sónia Santana Sacramento.
Através do apoio da Almina, Sónia tem conseguido "reforçar as condições necessárias ao desenvolvimento do trabalho de observação e registo", o que, consequentemente, tem assegurado a manutenção desta iniciativa que, para a responsável, "aproxima a comunidade da natureza e promove o conhecimento sobre o património local".
Sónia Santana Sacramento conclui a apresentação do seu projeto, sublinhando que este "olha para as aves para conhecer melhor a natureza", mas também "olha para as pessoas para guardar a memória de um Alentejo vivido e contado na primeira pessoa e divulgado nas redes sociais".
Pode seguir a "Aldeia Amiga das Andorinhas" no Instagram e no Facebook.
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