Por exemplo, “quando há destruição da vegetação, provocamos erosão terrestre e existe uma série de partículas do solo que vão sendo arrastadas pelas chuvas, vão parar à costa e soterrar as florestas marinhas”, disse, acrescentando: “o facto de provocarmos erosão costeira que vai soterrar as rochas e cobri-las de sedimentos, faz com que não haja ‘habitat’, ou seja, um espaço de rocha limpa onde os pequenos estados microscópicos se possam agarrar”.
Ester Serrão apontou ainda a utilização de pesticidas e produtos químicos em meio terrestre como outra ameaça à preservação das florestas marinhas, assim como “atirar âncoras dos barcos ou fazer arrastos”.
“Deita-se uma âncora sobre corais e destruímos os corais, deita-se uma âncora sobre uma pradaria marinha e arrancamos as plantas”, ilustrou.
Segundo a bióloga, as florestas marinhas “são essenciais para toda uma série de funções dos ecossistemas marinhos da (…) costa”.
Por isso, frisou, “é importante mostrar que são ecossistemas únicos e muito ricos, mas que enfrentam desafios crescentes, ligados à ação dos seres humanos”.
A 4.ª edição do Festival das Florestas Marinhas, que arrancou na quarta-feira, tem como objetivo “promover o conhecimento científico, a sensibilização e o envolvimento da comunidade na valorização dos ecossistemas marinhos e na proteção dos oceanos”.
A iniciativa é promovida pelo Centro de Ciências do Mar do Algarve, em parceria com o Município de Odemira, o Colégio Nossa Senhora da Graça, a Junta de Freguesia de Vila Nova de Milfontes e a Universidade do Algarve e o apoio de várias entidades.
Segundo a organização, o festival “reúne cientistas, estudantes, residentes e visitantes para um vasto conjunto de iniciativas destinadas à sensibilização para a conservação, partilha de conhecimento científico e descoberta ativa da riqueza dos 'habitats' costeiros e marinhos”.
“Queremos que as pessoas saiam do festival a olhar para o oceano de forma diferente e todos com um sentido de responsabilidade e de contribuir para conservar estes ecossistemas, que são tão essenciais para sustentar as gerações futuras e a biodiversidade marinha na nossa costa”, frisou Ester Serrão.
No âmbito do festival, está prevista, para hoje, domingo, a reunião científica “Que futuro para as florestas marinhas de Portugal?”, com apresentações de investigadores, empresas e organizações sobre biodiversidade, conservação, restauro, cultivo, inovação e bioeconomia das florestas marinhas.
Depois, entre os dias 18 e 22, tem lugar um programa “de descoberta” de algas e plantas marinhas do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina para alunos universitários, organizado pela Universidade do Algarve.
As florestas marinhas são formadas por organismos como algas e outras espécies estruturantes dos ecossistemas costeiros, desempenhando “um papel vital na manutenção da biodiversidade, na produção de oxigénio e na captura de carbono”, além contribuírem “para a mitigação das alterações climáticas e equilíbrio dos oceanos”, indicou a organização do festival.
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