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Carlos Cipriano: "um dos maiores erros do Ferrovia 2020 foi deixar Casa Branca/Beja por eletrificar"

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Carlos Cipriano: "um dos maiores erros do Ferrovia 2020 foi deixar Casa Branca/Beja por eletrificar"

Carlos Cipriano, jornalista do Público que escreve regularmente sobre ferrovia, falou com a Voz da Planície sobre esta matéria e sublinhou, entre outros aspetos, também, que “seria possível em poucos meses reativar a ligação Beja/Funcheira”. Opinião para ouvir na íntegra hoje, em 104.5 FM, às 11h30.

O jornalista Carlos Cipriano começou por referir que “o momento atual é aquele em que se tenta investir na ferrovia depois de décadas de desinvestimento e abandono dos sucessivos governos. Desinvestiu-se no modo de transporte de futuro, o comboio” e o resultado, frisou, é “uma ferrovia pouco fiável, antiquada, que está num profundo processo de modernização muito lento, e atrasado, e nem sempre com a modernização certa”.

O que está a acontecer agora, recordou Carlos Cipriano, “o que está em cima da mesa é o Ferrovia 2020, que já devia ter terminado, que tem três anos de atraso e que ainda está a meio. O Ferrovia 2020 foi apresentado em 2016 e é o descendente do Plano Estratégico de Transportes do antigo Governo de Pedro Passos Coelho, e foi construído o durante o período de intervenção da troika em Portugal. E ao bom estilo político da época deixou para segundo plano o transporte de passageiros, assim como a sua importância na coesão territorial e social, a prioridade foi o transporte de mercadorias. Quando António Costa chegou ao Governo era o que tinha em mãos e decidiu avançar com um plano que não contempla os aumentos de velocidade e a redução de tempo na realização dos percursos. E este é o primeiro erro do qual enferma este plano”.

Para quem reflete, e escreve, regularmente sobre a matéria da ferrovia, o Ferrovia 2020 tem, também, um segundo erro que se refere ao calendário “otimista” traçado. Carlos Cipriano explica que “hoje, sete anos depois de ter sido apresentado, e três depois da data em que deveria ter sido concluído, tem 18 por cento de obra feita e quando estiver terminado não vai servir a ferrovia portuguesa. Com ele fizeram-se algumas eletrificações, que são bem vindas, mas não se atacou o fundamental, ou seja, aumentar a velocidade para ser um transporte atrativo e uma alternativa ao modo rodoviário”.


Para Carlos Cipriano há, ainda, um terceiro erro no Ferrovia 2020, nomeadamente as lacunas que ficaram de fora no que se refere à eletrificação de algumas linhas, entre elas a de Casa Branca/Beja.

“Na linha do Oeste ficou por eletrificar o trajeto de Caldas da Rainha/Coimbra, a do Douro está muito atrasada e Casa Branca/Beja não foi contemplada, sendo o maior exemplo de ilha que ficou por fazer”, esclareceu.

O jornalista frisa que “a Sul do Tejo após o Ferrovia 2020, o único trajeto que fica por eletrificar são os quilómetros Casa Branca/Beja, com exceção para Neves Corvo dedicado ao transporte de mercadorias. O próprio operador CP, devido a esta ilha vai ter que continuar a usar, durante anos, comboios a diesel quando podia ter tudo eletrificado até ao Algarve. Sem dúvida um dos maiores erros do Ferrovia 2020. O que aconteceu? Não sei se foi falta de peso político ou pressão do lobby rodoviário, mas estou em crer que há mais qualquer coisa de que só um erro de decisão”.

Carlos Cipriano diz, também, que “ter a ligação Beja/Funcheira fechada e não se reabrir, quando está praticamente operacional e apta a funcionar em poucos meses, não se entende”.


Ainda em matéria de ferrovia, o jornalista lembrou que o aeroporto passa ao lado e que “já estava na altura de se estar a estudar, assim como a lançar concurso para o ramal de ligação. Neste caso ou por ferrovia ou até pedonal, aproximando o aeroporto da estação de comboios”.

“Dizem que o aeroporto de Beja vai servir para trazer aviões com jovens nas Jornadas da Juventude, em agosto, e eu estou expetante para perceber como os vão levar para Lisboa. Parece-me que serão transportados por autocarros quando a poucos metros há uma linha de comboio. A acontecer será o exemplo do fracasso da linha férrea em Portugal. Num País que sabe usar bem os seus recursos estas coisas não acontecem. Beja podia assistir a uma experiência pioneira, um exercício para o futuro do aeroporto, arranjando forma destes jovens saírem de comboio de Beja para Lisboa e não de autocarro”.

Lembrou, igualmente, que na Ovibeja foi realizado o Comboio do Cante. Neste contexto recordou que os cantadores foram “transportados da estação para o recinto da feira de autocarro, quando a linha de comboio passa ao lado e se podia ter arranjado um apeadeiro, temporário, em que as pessoas sairiam do comboio diretamente para a feira”.

Terminou, dizendo que “falta imaginação e agilidade para as soluções prioritárias para a mobilidade no País passarem pelo caminho de ferro”.


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