Passamos a divulgar a nota de imprensa da comissão.
"No passado dia 30 de abril, o Primeiro-Ministro, de visita à Ovibeja, procurou minimizar a justa indignação das populações dos concelhos (mal) servidos pela linha do Alentejo, prometendo que três das novas automotoras “Stadler2700” que o fabricante já começou a entregar à CP, serão destinadas às ligações Beja-Lisboa-Beja. Luís Montenegro prometeu ainda que a primeira unidade entrará ao serviço em janeiro de 2027, a segunda no mês de fevereiro,e a terceira em março do ano atrás referido.
O problema é que os utentes da Linha do Alentejo, particularmente os que viajam no troço Casa Branca-Beja, precisam de uma solução para ONTEM! Não passa um único dia sem que ocorra um incidente qualquer com as vetustas automotoras “diesel” que, com muita dificuldade, lá se vão arrastando. Os frequentes atrasos, muitas vezes de horas, levam os passageiros ao desespero. Está a acontecer hoje, mais uma vez, nova avaria na única locomotiva a operar entre Beja e Casa Branca, transporte de autocarro, corte de estrada, autocarro obrigado a andar por vias desconhecidas. Após 1h38m de espera, o comboio de Évora que aguardava em Casa Branca, parte sem levar os passageiros de Beja. Também hoje, a automotora que saiu de Beja às 10h45, esteve literalmente no meio do montado, a 5kms de Casa Branca pela linha férrea. Os passageiros aguardaram a protecção civil para serem retirados.
Para além de todos os constrangimentos, havia nomeadamente pessoas que aguardavam há 1 ano uma consulta no hospital em Lisboa e a quem ninguém conseguiu dar uma alternativa em tempo útil.
Para piorar o estado das coisas outra preocupação nos aflige, como se pode ver numa informação divulgada pelo SMAQ – Sindicato dos Maquinistas à Administração da CP, que passamos a transcrever:
“O SMAQ enviou à CP um ofício formal onde manifesta profunda preocupação com uma opção de conceção no novo material circulante atualmente em aquisição: a ausência de porta lateral exterior de acesso direto às cabines de condução".
"A renovação do material circulante deve representar um avanço. Não é aceitável que novos comboios sejam, em aspetos essenciais, menos funcionais e menos seguros do que o material atualmente em serviço".
Sobre a electrificação e a reabilitação da linha ficámos a saber, pela voz do Secretário de Estado das Infraestruturas, que os trabalhos deverão estar terminados em 2032 (o futuro não se alcança…), não tendo sido explicado qual a data prevista para o início das obras e se estas obrigam, ou não, à interrupção da via, com o consequente recurso a o modo rodoviário.
Importa referir que é indispensável a construção de uma VARIANTE que possa servir fins civis (Aeroporto de Beja).
Também o troço Beja-Funcheira deve ser electrificado e recuperado, por forma a permitir a ligação directa ao Algarve para comboios de passageiros e de mercadorias podendo, para além disso, servir como trajecto alternativo em caso de constrangimento na Linha do Sul.
Por último não podemos deixar de lamentar o tom festivo com que o Ministro das Intraestruturas e da Habitação, assinalou a venda de um milhão de “passes verdes” e a receita de vinte milhões de euros arrecadada pela CP, não fazendo a mínima referência à péssima qualidade do serviço prestado na linha do Alentejo e noutras regiões do País.
Reservamo-nos o direito de duvidar de um Governo que, em matéria de projetos ferroviários, muito promete e pouco executa.
A Comissão de Utentes em Defesa da Linha do Alentejo".
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