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Festival Terras sem Sombra leva o Cante até às Astúrias

Festival Terras sem Sombra leva o Cante até às Astúrias

Foto: Festival TSS

Na sua 22.ª edição, o Festival Terras sem Sombra (TSS) "reforça a dimensão internacional que tem vindo a consolidar ano após ano, afirmando-se como um dos mais singulares projetos culturais da Península Ibérica". No final de 2025, marcou presença em Badajoz, "confirmando uma estratégia continuada de cooperação transfronteiriça e projeção além-fronteiras". Agora, a visita é a Ribera de Arriba (Oviedo), nas Astúrias, nos próximos dias 30 e 31 de maio, onde o TSS preparou "um programa que cruza música, património e salvaguarda da biodiversidade". O Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento atua no Centro Social La Caballería, em Soto de Ribera, no dia 31 de maio.

Sábado, dia 30 de maio, às 18h00 (hora espanhola), o programa patrimonial do Festival Terras sem Sombra nas Astúrias dedica um percurso aos «hórreos» (construções tradicionais elevadas sobre pilares, análogas aos espigueiros portugueses) de Bueño, localidade que preserva exemplarmente esta arquitetura tradicional. Os «hórreos» constituem uma das imagens mais emblemáticas da paisagem rural do Norte ibérico, forma ancestral de organização comunitária e de adaptação ao território. A atividade completa-se com a visita ao Centro de Interpretação do Hórreo, à Central Artística de Bueño e à Casa de las Artes y las Ciencias, espaços que acolhem exposições de arte contemporânea.

Domingo, dia 31 de maio, às 10h45, o passeio «Olhares que se Cruzam: A Biodiversidade no Vale do Rio Nalón» reunirá cientistas portugueses e espanhóis num percurso pelos rios Nalón e Caudal. Esta iniciativa conta com a orientação de especialistas ligados ao estudo da fauna e da flora. E às 13h30, o Centro Social La Caballería, em Soto de Ribera, recebe o concerto com o Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento, «Cante e Canto: ao Encontro das Tradições Musicais do Alentejo e das Astúrias», que aproxima o cante alentejano da tonada asturiana e da gaita-de-foles.

Ainda no dia 31 de maio, entre as 13h00 e as 17h00, o Centro Social La Caballería acolhe um mercado ibérico dedicado aos produtos portugueses e à marca asturiana «Alimentos del Paraíso».

O Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento é uma das formações históricas do cante alentejano e um símbolo da vitalidade desta expressão classificada pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade. Fundado em 1986, nasceu da recuperação espontânea do hábito de cantar em grupo nas tabernas da aldeia. Com 35 elementos, mantém vivo o repertório tradicional ligado ao trabalho agrícola e apresenta-se regularmente em Portugal e no estrangeiro. Nas Astúrias, atuará sob a direção musical de Pedro Mestre, um dos mais destacados intérpretes e divulgadores da viola campaniça.

A par dos intérpretes alentejanos vai estar Vicente Prado Suárez, «El Pravianu», figura emblemática da música tradicional asturiana contemporânea e referência da gaita-de-foles nas Astúrias, acompanhado por artistas da Asociación de Intérpretes de Canción Asturiana (AICA), entidade dedicada à preservação e divulgação da tonada e da música tradicional da região. Com mais de quatro décadas dedicadas à preservação e divulgação do património musical asturiano, o gaiteiro construiu um percurso singular como intérprete, investigador, professor e construtor artesanal de gaitas. «El Pravianu» levou o repertório popular das Astúrias a festivais internacionais e comunidades emigrantes de vários países e tem-se apresentado perante os reis de Espanha e convidados ilustres.

Tomás Manuel Muñiz, alcaide de Ribera de Arriba, considera o TSS "um poderoso motor cultural de carácter local, regional e nacional", e sublinha que as presenças do embaixador de Portugal e do Presidente do Governo do Principado das Astúrias reforçam os laços entre os dois países ibéricos. Sublinha ainda a riqueza da cultura portuguesa e o contributo que esta tem dado ao desenvolvimento do território, defendendo que os habitantes de Ribera de Arriba se revejam no festival.

Para o presidente desta câmara municipal, trata-se de "uma oportunidade histórica" para o seu concelho se mostrar ao mundo, através de uma iniciativa que vai além da música, promovendo a troca de experiências, saberes e a afirmação de projetos que visam o desenvolvimento mútuo, com especial atenção à preservação da biodiversidade e dos patrimónios tradicionais, sem esquecer a vertente económica e social. Equacionar problemas comuns em territórios de baixa densidade, eis a questão. O edil conclui: "Quero muito que os meus munícipes se vejam identificados com o Terras sem Sombra".

O diretor-geral do TSS, José António Falcão, assinala que «construímos um modelo cultural pouco frequente no contexto europeu, que articula uma programação musical de excelência com a valorização patrimonial e a reflexão ambiental. A transversalidade tem contribuído para a crescente presença de instituições culturais, representantes diplomáticos e entidades científicas estrangeiras nas atividades promovidas pelo festival, transformando-o num espaço de encontro entre territórios, saberes e tradições».

«As relações desenvolvidas com as Astúrias assumem, neste quadro, um significado particular. Mais do que um simples intercâmbio artístico, são pontes que aproximam dois territórios periféricos da Península Ibérica. O diálogo entre o cante alentejano, o canto asturiano, a gaita e outros instrumentos tradicionais evidencia afinidades inesperadas entre culturas aparentemente distantes, mas unidas por formas de transmissão oral, práticas comunitárias e patrimónios enraizados no mundo rural», concluiu o responsável pelo festival.

A deslocação às Astúrias conta com a presença do Presidente do Governo do Principado das Astúrias, Adrián Barbón, do Embaixador de Portugal em Madrid, José Augusto Duarte, de representantes de diversos municípios alentejanos, entre os quais Arronches, Évora, Ferreira do Alentejo, Mértola, Sousel e Viana do Alentejo, bem como de uma comitiva de artistas, investigadores e jornalistas portugueses. Haverá ainda espaço para o encontro entre cientistas lusos e espanhóis.

Na sua presença em Oviedo e Ribera de Arriba, o TSS conta com a parceria do Município desta localidade e o apoio sustentado da Direção-Geral das Artes, do BPI-Fundação «La Caixa» e da CCDR-Alentejo.


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