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Sociedade

Greve da função pública com impactos "na educação, saúde, justiça e autarquias locais"

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Greve da função pública com impactos "na educação, saúde, justiça e autarquias locais"

Foto: Freepik

A Frente Comum perspetiva uma "grande greve" da administração pública nesta sexta-feira, dia 24, contra o Governo, que acusa de degradar trabalho e serviços públicos. O Sindicato prevê o fecho de muitas escolas, perturbações nos serviços de saúde e de justiça, assim como forte adesão de trabalhadores nas autarquias, serviços centrais da administração pública e na cultura e monumentos. A Frente Comum representa 29 sindicatos de todos os setores da administração pública.

"Vai ser uma grande greve e vai obrigar o Governo, se tiver bom senso, a perceber que está a comprar conflito social e que não vai parar porque os trabalhadores exigem políticas diferentes", afirma o coordenador da Frente Comum, Sebastião Santana.

Para o dirigente sindical, os trabalhadores não podem aceitar um Orçamento do Estado de degradação das condições de trabalho e desinvestimento nos serviços públicos.

Disse Sebastião Santana que o aumento do orçamento para a saúde em 2026 fica mesmo abaixo da inflação, além de que, do total de 17 mil milhões de euros, mais de metade é canalizado para privados (em exames, cirurgias, medicamentos, etc, financiados pelo Estado).

"São 760 mil pessoas [que são] trabalhadores da administração pública, têm um peso muito grande na sociedade portuguesa. Se o Governo não tem isto em atenção trata-se de uma miopia muito grave", disse.

Questionado sobre se haveria margem no Orçamento do Estado para acomodar o aumento salarial de 15% exigido pela Frente Comum (no mínimo de 150 euros), tendo em conta o ligeiro excedente de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) previsto para 2026, o sindicalista respondeu afirmativamente desde que fossem alteradas as prioridades políticas.

"Há toda a margem. Se a proposta do Orçamento do Estado não tiver borlas fiscais de 1.700 milhões de euros para as empresas, se não tiver quebra do IRC de 300 milhões de euros (...). Não é uma questão de falta de dinheiro, é uma questão de opção política", afirmou.

Sebastião Santana referiu ainda que a proposta orçamental inclui um aumento da despesa com a defesa em 14% e que recentemente foi anunciado o investimento de 50 milhões de euros na aquisição de armamento norte-americano para ser entregue à Ucrânia.

Questionado ainda sobre se a greve poderá trazer alguma alteração na aprovação do orçamento no parlamento quando o PS já anunciou uma "abstenção exigente", Sebastião Santana disse que o PS "ainda vai a tempo de mudar de opinião" e que o processo político não diz só respeito ao parlamento e que é condicionado pela luta social.

Quanto aos serviços mínimos nesta greve, os dirigentes da Frente Comum explicaram que os pré-avisos de greve definiram, como habitualmente, os serviços mínimos e que na saúde, por exemplo, incluem urgências, cirurgias programadas consideradas urgentes, tratamentos como fertilização, hospitalização domiciliária, etc.




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