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Médicos aderem à Greve Geral de 3 de junho "contra a reforma laboral"

Médicos aderem à Greve Geral de 3 de junho "contra a reforma laboral"

Foto: FNAM

A FNAM, Federação Nacional dos Médicos, informou, em nota de imprensa, que "os médicos irão aderir à greve geral marcada para o próximo dia 3 de junho, em protesto contra a reforma laboral e o agravamento das condições de trabalho, tanto no Serviço Nacional de Saúde (SNS) como nos restantes setores público, social e privado". Depois da greve realizada a 11 de dezembro, "os médicos voltam à luta porque a situação não só não melhorou — está a agravar-se". De acordo com a FNAM, "no SNS faltam atualmente cerca de 800 médicos de família, deixando cerca de 1,6 milhões de utentes sem médico atribuído". Os médicos referem também que "ao mesmo tempo continuam encerrados serviços essenciais, incluindo urgências, de norte a sul do país, enquanto cresce a transferência de cuidados para o setor privado, sem qualquer valorização dos médicos".

Também de acordo com a federação, "o que está em causa numa possível reforma laboral é muito sério: jornadas até 50 horas semanais como norma, horários desregulados, bancos de horas impostos, vínculos precários e ataques à parentalidade, à contratação coletiva, ao direito à greve e à ação sindical. Isto não é modernização — é a degradação do trabalho médico e um ataque direto ao SNS".

"Ainda neste contexto, o chamado "Pacto para a Saúde" só fará sentido se representar um verdadeiro compromisso com o reforço do SNS, dos seus profissionais e da capacidade de resposta pública", reforça a FNAM.

Os médicos também se pronunciam quanto ao "Pacto para a Saúde" que, para estes profissionais, "não pode resumir-se à aprovação avulsa de medidas como incentivos ao trabalho suplementar acima dos limites legais em serviço de urgência, através de pagamentos em "blocos de horas". Esse modelo apenas promove a exaustão, o burnout dos médicos e a sua saída do SNS. Já foi experimentado em 2024 e não evitou constrangimentos graves nem o encerramento de urgências, com consequências dramáticas, incluindo o número crescente de bebés a nascer em ambulâncias".

A FNAM reforça na nota que "o SNS precisa de investimento sério, equipas completas, vínculos estáveis, salários dignos e condições de trabalho justas. Sem isso continuará a perder capacidade de resposta e os cidadãos continuarão a perder acesso a cuidados de saúde em tempo útil". 

"Os médicos rejeitam qualquer reforma laboral assente na precarização, na desregulação dos horários e no agravamento da exploração laboral, reafirmando a necessidade de defender direitos e valorizar os profissionais", conclui a nota da FNAM.


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