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Cultura

Música de Handel, numa produção Festival Terras sem Sombra, no Pax Julia, em Beja

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Música de Handel, numa produção Festival Terras sem Sombra, no Pax Julia, em Beja

Foto: Facebook Festival Terras sem Sombra

A "OCAS, orquestra-chave da música europeia, interpreta obra-prima em favor da paz «Música para os Fogos-de-Artifício Reais», de Handel, numa produção do Festival Terras sem Sombra em Beja, no Pax Julia, nesta noite de sábado, dia 13, a partir das 21h30.

A direção musical deste espetáculo é de Manuel Paz e conta com a participação da soprano espanhola Hanna del Canto, que interpreta peças de compositores latinos.

"O Festival Terras sem Sombra (TSS) reitera em 2025 a presença anual no concelho de Beja para, a 13 e 14 de Setembro, em parceria com o Município e a Embaixada de Espanha, oferecer um programa que entrelaça a grande música, a arte portuguesa na construção de instrumentos musicais e as memórias e identidades da mesa alentejana.

A noite de 13 de Setembro promete iluminar-se com a magistralidade da música de G. F. Handel, num concerto de uma das principais orquestras de Espanha. Acresce um programa musical que revisita obras de grandes compositores latinos, pela voz da soprano espanhola Hanna del Canto, uma estrela em ascensão no universo do Bel Canto. Antes, à tarde, o tempo desacelera no atelier da família Cardoso, na aldeia da Trindade, onde guitarras, violinos e cavaquinhos nascem de mãos que cuidam a madeira como memória e futuro. Por seu turno, a 14 de Setembro, Baleizão, outra histórica aldeia do concelho, põe a mesa com açordas, migas e sopas, numa cozinha alentejana como um ritual de aromas, gestos e memórias partilhadas.

Na sua apresentação em Beja, o TSS conta com a parceria do Município e de outras entidades locais e da Embaixada de Espanha em Lisboa. Sublinhe-se o regresso, em 2025-26, ao apoio sustentado da Direcção- Geral das Artes, obtido mediante concurso público.

Sobre a apresentação em Beja, salienta José António Falcão, director-geral do TSS: «Em palco, contaremos pela primeira vez, na nossa região, com um dispositivo completo, o que inclui canhões de sala. Há que recordar que a peça foi originalmente pensada para acompanhar um grandioso espectáculo de fogos-de- artifício nos jardins de Green Park, em Londres». O mesmo responsável acrescenta que «estamos perante uma obra cimeira do compositor que se afigura muito oportuna também nos nossos dias. Na sua origem, esta peça celebra a paz entre Inglaterra e França, numa encomenda do rei Jorge II de Inglaterra. Hoje, também o mundo anseia por paz». Palavras que enquadram justamente o título do concerto: «Viva a Paz! Música para os Fogos-de-Artifício Reais, de G. F. Handel».

A anteceder os minutos triunfantes de «Música para os Fogos-de-Artifício Reais», o programa inclui um repertório de peças de compositores latinos, entregues à magnifica voz da jovem soprano espanhola Hanna del Canto. Nascida em 2000, Hanna é uma intérprete versátil e dedicada, que le lança com vigor nos palcos do mundo. É membro efectico de Intermezzo Promusic e de Lumen. Dirigiu o Coro Voces Blancas del Nalón e a Chorale «A coeur joie». A 13 de Setembro, interpreta, entre outros, peças da tradição sefardita e de Alberto Lozano, Gerónimo Giméne, Ruperto Chapí e Francisco Asenjo Barbieri.

A orquestra OCAS, fundada em 2002 no Principado das Astúrias, promove a música como linguagem universal. Sob o projecto Vínculos, já apresentou concertos, oficinas e acções pedagógicas em mais de 15 países. Localmente, mantém iniciativas educativas como a Escola de Música Itinerante de Siero e concertos solidários.

O maestro Manuel Paz, natural de Ujo, em Mieres, é fundador e director artístico da orquestra desde os seus primórdios. Músico multifacetado, destacou-se pela criação de Vínculos e pela dedicação ao ensino. A sua filosofia baseia-se na empatia e na partilha, usando a música como elo cultural e humano.

Se o serão de 13 de Setembro se afigura inesquecível, a tarde (15h00), reserva outro momento memorável, no âmbito do património cultural alentejano: «O Ofício de Luthier: Construir Instrumentos de Cordas na Trindade». Com ponto de encontro na Rua José Mariano dos Reis, n.º 36, na Trindade, a acção tem como anfitriões dois profissionais notáveis, José António Cardoso e o seu filho Paulo Cardoso. Dedicam-se ambos à nobre arte do fabrico de instrumentos, neste caso a partir de um atelier a funcionar desde 2005 no meio rural. Um sinal de uma nova Europa, descentralizada, capaz de encontrar na cultura um estímulo económico e social para o renascimento e a afirmação dos territórios rurais.

José António Cardoso nasceu em 1961, em Ribeira de Pena, e vive no Alentejo desde 1985; o filho, Paulo Cardoso, nasceu em 1985, em Mafra, e sempre residiu no Alentejo. Ambos se iniciaram como autodidactas na construção de guitarras. Paulo aprofundou conhecimentos com o mestre Infante e juntos aperfeiçoaram a construção e restauro de instrumentos de corda. Hoje, produzem artesanalmente guitarras, violinos, violas campaniças, alaúdes, cavaquinhos, ukuleles e outros instrumentos tradicionais muito apreciados – e muito disputados. Em 2021, lançaram o evento «Artes & Ofícios – Cumplicidades». São também autores do Manual de Construção de Instrumentos, obra em dois volumes (2022 e 2024), pioneira em língua portuguesa.

Alargando o olhar além do atelier da família Cardoso, Trindade afigura-se uma localidade que preserva o traço típico das comunidades rurais alentejanas. O casario caiado, as ruas estreitas e a igreja de traça gótica, da Santíssima Trindade (século XV), evocam séculos de vivência comunitária. O património imaterial manifesta-se em tradições agrícolas, no convívio popular e no cante alentejano. Por seu turno, as festas religiosas e romarias reforçam o sentido de pertença e continuidade cultural.

Traço marcante da identidade alentejana, a cozinha local dá mote à actividade que se desenrola em Baleizão na manhã de domingo, 14 de Setembro, com ponto de encontro em Beja, junto às Piscinas Cobertas (9h30).

«Sopas, Açordas e Migas: Da Gastronomia Sustentável à Identidade Regional» propõe aos participantes uma viagem à essência da mesa da região, orientada por Ana de Albuquerque Piedade, professora da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Beja.

Baleizão, a terra onde foi ceifada a vida de uma referência do Portugal contemporâneo, Catarina Eufémia, distingue-se pela forte identidade. Possui importantes monumentos religiosos, com realce para a igreja de São Pedro de Pomares, nos matos do Guadiana, onde el-rei D. Dinis esteve a ponto de sucumbir ao ataque de um urso, quando caçava javalis, uma página pouco conhecida da História de Portugal. Baleizão é um lugar orgulhoso das suas tradições, incluindo as da convivialidade à mesa. neste caso, desafia os participantes na actividade de salvaguarda da biodiversidade a adentrarem-se nos segredos e labores da cozinha alentejana (e, também, a degustarem-na) num espaço icónico, o Clube de Caçadores. Frente aos tachos está António «das Migas», de sua graça António Bexiga, um cozinheiro de mão-cheia, referência da região", lê-se no documento enviado à nossa redação.



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