A iniciativa reuniu autarcas, parceiros e entidades do setor, num momento de partilha e reflexão sobre a realidade da reciclagem de embalagens no Baixo Alentejo e sobre a importância de respostas ajustadas às especificidades de cada região.
A sessão contou com intervenções de Mário Tomé, Presidente do Conselho de Administração da Resialentejo e da CEO da Sociedade Ponto Verde (SPV), Ana Trigo Morais.
O Presidente do Conselho de Administração da Resialentejo, Mário Tomé, destacou que “a Resialentejo opera numa das regiões de menor densidade populacional do país, o que representa um desafio acrescido no cumprimento das metas nacionais e europeias de reciclagem. Esta visita marca mais um momento importante para dar visibilidade ao trabalho que tem sido desenvolvido e para discussão, em conjunto com os nossos parceiros, do caminho para uma gestão de resíduos de embalagens mais eficiente e sustentável na nossa região.”
A iniciativa colocou também em destaque o papel da Resialentejo na resposta aos desafios da gestão de resíduos de embalagens no Baixo Alentejo, abrangendo os concelhos de Almodôvar, Barrancos, Beja, Castro Verde, Mértola, Moura, Ourique e Serpa. Este momento pretendeu ainda sublinhar a importância da articulação entre entidades locais, regionais e setoriais na melhoria do desempenho ambiental e no reforço da resposta aos desafios da reciclagem de embalagens no território.
Os resultados alcançados pela Resialentejo, com 6.320 toneladas de embalagens retomadas em 2025 e um crescimento de 39% nas quantidades enviadas para reciclagem no primeiro trimestre de 2026, face ao período homólogo, evidenciam a evolução positiva registada neste território e a importância do trabalho desenvolvido a nível local. Demonstram, igualmente, a relevância da articulação entre as dimensões local e nacional para o cumprimento de metas e o reforço de boas práticas nos territórios.
“Esta iniciativa marca o início de um roteiro que a SPV pretende realizar pelo país, de forma a dar visibilidade às melhores práticas, casos de sucesso e desafios das diferentes regiões, no cumprimento das metas de reciclagem de embalagens. Apesar do incremento muito significativo a nível de financiamento, o sistema nacional continua distante do cumprimento das metas legais. É determinante reforçar o sistema do ponto de vista do serviço ao cidadão, da eficiência da recolha seletiva e da triagem e gestão baseada na avaliação contínua e objetiva do retorno do investimento, de forma a traduzi-lo em resultados”, referiu Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde.
Em 2025, um ano decisivo para o Portugal, o Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE) contou com um investimento recorde de 212 milhões de euros, mais 90 milhões face a 2024. Em 2026, prevê-se um investimento de mais 25 milhões de euros, num total de 237 milhões. Este investimento devia impulsionar uma mudança estrutural e gerar resultados mensuráveis que levassem o País a cumprir as metas de reciclagem de embalagens. Ainda assim, os resultados não têm vindo a acompanhar de forma proporcional nem se têm traduzido em ganhos visíveis no terreno, o que demonstra que a reciclagem de embalagens não se resolve apenas com mais financiamento. O desafio passa por transformar recursos em eficácia, reforçando o nível de serviço ao cidadão, a eficiência da recolha seletiva e da triagem, e a gestão baseada em dados, métricas e avaliação contínua do retorno do investimento.
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