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Saúde

Sindicato de enfermeiros aponta para “centenas de serviços” paralisados

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Sindicato de enfermeiros aponta para “centenas de serviços” paralisados

Foto: Freepik

O presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses afirmou hoje, dia 17 de outubro, que há “centenas de serviços” paralisados devido à greve contra a proposta Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) do Governo, salientando que os profissionais rejeitam “trabalhar mais e levar menos rendimento”.

“Temos centenas de serviços a 100% de adesão dos enfermeiros. Assumimos os serviços mínimos que estão legalmente fixados, temos centenas de unidades e centros de saúde abertos, mas sem enfermeiros, e, portanto, temos um forte impacto (…) em consultas externas, centros de saúde e na cirurgia programada dos blocos operatórios”, indicou aos jornalistas José Carlos Martins.

Várias centenas de enfermeiros concentraram-se hoje junto ao Ministério da Saúde, em Lisboa, em protesto contra a proposta de ACT apresentada pelo Governo, que consideram lesiva para a classe.

Os profissionais entregaram no Ministério da Saúde uma moção com mais de 11.000 assinaturas contra o ACT.

“Isto mostra uma coisa. O Ministério da Saúde tem de ter claro que os enfermeiros não acompanham esta ideia de trabalharmos mais horas e levarmos menos rendimento”, disse o dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).

Segundo José Carlos Martins, o Governo quer exigir 60 horas de trabalho por semana, “num quadro de uma brutal carência de enfermeiros”, mas tenciona cortar no pagamento das horas noturnas, dos fins de semana e do trabalho extraordinário.

“Ainda por cima retiram as regras de progressão aos nossos colegas mais jovens”, lamentou.

Entre os serviços mais afetados pela greve de hoje, José Carlos Martins disse que a “cirurgia programada (…) está a ser fortemente afetada”, embora com reprogramações “para ter o menor impacto possível nos cidadãos”, e as intervenções de caráter não urgente em centros de saúde e nas consultas externas.

De acordo com o sindicalista, pelas 11:30, encontravam-se junto ao Ministério cerca de 500 enfermeiros.

José Carlos Martins disse ainda que não “está nenhuma reunião agendada pelo Ministério da Saúde com nenhum sindicato”.

À Lusa, Susana Cid, enfermeira desde 2019 na unidade local de saúde (ULS) de São José (Lisboa), considerou que a luta dos profissionais é justa e necessária face ao novo ACT.

“É um ataque à vida dos enfermeiros”, afirmou, sublinhando que só com mobilização será possível travar o avanço de medidas que põem em causa os direitos da classe.

Como exemplo da desvalorização, apontou a urgência de psiquiatria do Hospital Dona Estefânia, onde é exigida a presença de enfermeiros especialistas em saúde mental nos turnos da tarde e da noite — sem que nenhum receba como tal.

“Isto é um exemplo do quão o governo desvaloriza os enfermeiros”, denunciou.

Também José Afonso, enfermeiro há 25 anos na ULS Matosinhos (Porto), considerou “completamente inaceitável” a proposta apresentada pelo Governo.

“Mostra a falta de respeito que têm pela classe”, afirmou, classificando o acordo como “uma mão cheia de nada” que exige a entrega total do tempo de trabalho dos profissionais.

Segundo o enfermeiro, o novo modelo ameaça direitos conquistados, como o tempo de passagem de turno e o valor do trabalho em horários mais exigentes.

“É inadmissível, nos dias de hoje, o Governo querer que algum trabalhador trabalhe até 12 horas por dia, até 60 horas por semana”, denunciou, alertando para a degradação das condições laborais.

O enfermeiro lamentou que, pela primeira vez, se tente negociar um acordo sem qualquer contrapartida.

“Nunca vi uma proposta destas. Só pedir, só exigir e não dar nada”, criticou, reforçando que a luta dos enfermeiros é a única forma de garantir respeito e justiça para a classe.


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