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“A Bilha Quebrada”, hipocrisia, corrupção e abuso de poder em comédia de teatro de rua pela Baal17

“A Bilha Quebrada”, hipocrisia, corrupção e abuso de poder em comédia de teatro de rua pela Baal17

Foto: ©Ana Rodrigues

A Baal17 – Companhia de Teatro, estreia “A Bilha Quebrada”, um espetáculo de teatro de rua para assistir no Largo de Santa Maria, em Serpa, nos dias 14, 15 e 16 de maio, às 21h30. Esta é uma comédia que "denuncia a hipocrisia, a corrupção e o abuso de poder", e desafia "a uma reflexão sobre a fragilidade da justiça e das instituições", refere a companhia em nota de imprensa.

A sinopse conta que "num tribunal de aldeia, a Dona Marta exige justiça: alguém invadiu o quarto da sua filha Eva durante a noite e partiu a sua bilha de estimação. Adão, o juiz autoritário e corrupto, prepara-se para resolver o caso em benefício próprio, mas por azar nesse dia recebe a visita de uma Inspetora vinda da cidade. Eva recusa-se a contar a verdade e as suspeitas caem sobre o seu noivo. Para Dona Brígida, que nada lhe escapa, o Diabo está envolvido na questão. Afinal, quem partiu a bilha da Dona Marta?".

Rui Ramos, diretor artístico e ator da Baal17, diz que "o espetáculo a “Bilha Quebrada” pretende, de forma cómica, explorar os mecanismos do poder, da justiça e da hipocrisia humana", acrescentando que "apesar do texto ter mais de dois séculos, a encenação pretende sublinhar a ironia da sua impressionante atualidade".

Refere também que "num ritmo rápido e numa fisicalidade marcada, oito atores para outras tantas personagens, sobem a um estrado/tabuado largo, estrutura única que funciona simultaneamente como tribunal, casa e palco da farsa. As figuras, grotescas, interpretadas de forma deliberadamente excessiva e em diálogo com a plateia, sublinham o carácter burlesco da obra onde por vezes se confunde o público com o privado".

Rui Ramos completa a nota acrescentando que "a bilha (quebrada), objeto aparentemente banal, motivo do julgamento, assume um forte valor simbólico - a fragilidade da justiça quando é exercida por mãos corrompidas - e funciona como um espelho crítico da sociedade atual, questionando a credibilidade das instituições e a facilidade com que a verdade pode ser manipulada. Tal como em Kleist, o riso surge, mas deixa sempre um travo amargo — sinal de um teatro que diverte, mas sobretudo inquieta".


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